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O que os jovens que praticam o “Rolezinho” querem nos dizer ?

Por Alexandre Bernardino Costa

Nos últimos dias o noticiário veiculou reportagens sobre o chamado “Rolezinho”, que constitui no encontro marcado, por meio da internet, por jovens, em sua maioria negros, oriundos das periferias das grandes cidades, em Shoping Centers de frequência da classe média e alta. Eles não consomem, passam “zoando”, cantando e dançando, em grupos grandes se deslocam ao longo dos corredores, fazem pouco mais do que isso. Mas viraram assunto policial e judicial.
Independente do erro da decisão judicial e da política de utilização da polícia para esse tipo de manifestação, é importante perguntarmos: o que esses jovens querem nos dizer ?

Primeiramente deve-se dizer que eles não praticaram crime algum nas suas manifestações. Não se tem noticia de atos de vandalismo, como gosta de dizer a mídia, ou de furtos cometidos por eles. Não se trata de uma faceta do chamado crime organizado. Eles praticam o direito de ir e vir em lugares públicos de consumo de bens da classe média e alta das grandes cidades. Mas porque chamam tanta atenção ? Porque a mídia, o comércio e as instituições de repressão deram tanta atenção a eles ?

A resposta é simples: porque não deviam estar lá !
Os grandes templos do consumo não devem ser frequentados por quem não consome e não vai consumir. Jovens negros vestidos sem roupas de marca, cantando músicas que não são reproduzidas ali, sem os meios para comprar aquilo que é vendido não deviam estar naquele lugar. Mas eles insistem em ir. O que eles querem nos dizer com isso ?
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Somos uma sociedade que valoriza o que as pessoas têm, e não o que são, e o que fazem econômica, política e socialmente. Mais que isso, valorizamos  algumas coisas que representam mais na escala valorativa do ter: marcas de tênis, bonés, camisetas, bermudas, calças e todo vestuário que é ditado, não somente pelo estilo, mas principalmente pelo preço e status que fornece a quem usa. Veículos que possuem artefatos tecnológicos que não utilizamos nos trajetos que fazemos nas grandes cidades, sobretudo nos engarrafamentos em que ficamos todos os dias. Carros altos, tração nas quatro rodas, reduzida, para enfrentar Ralys, que passeiam no dia a dia para demonstrar poder. Quem é obrigado a utilizar o transporte público, além de ser aviltado em seus direitos todos os dias, pelo preço e pela qualidade, ainda é desvalorizado por não ter um carro.

Esses jovens da periferia, bem como as manifestações de junho, estão querendo nos dizer que querem entrar na rede de consumo que fornece a valorização social que qualquer adolescente deseja. Eles buscam os valores que lhes ensinamos e reproduzem isso no chamado Funk da Ostentação.

Mas eles estão a nos dizer um pouco mais. Que eles são tratados como bandidos pela polícia, que protege os cidadãos de bens, com “averiguações”, “baculejos”, revistas e outros procedimentos a que são submetidos todos os dias.
Nos dizem que o transporte que utilizam é caro, ineficiente, precário e só funciona minimamente nos horários de trabalho, pois na hora de ir ao Shoping, à balada ou à praia nos fins de semana, os mesmos transportes têm horários escassos e deixam de circular.

Eles estão nos dizendo que são tratados como cidadãos de segunda categoria todos os dias, e que sua localização na cidade, sua cor, e estilo de vida são rejeitados pelo restante da sociedade. Deve ser observado o número de jovens negros mortos com armas de fogo nas grandes cidades, que supera lugares no mundo onde há conflito armado.

Nos dizem ainda mais, que criamos uma sociedade que se reproduz de uma forma estúpida, que exclui a maior parte da população dos benefícios que essa mesma sociedade gera para si. Que estão sem alento, sem representação política, sem futuro, sem reconhecimento e sem direitos. Que querem fazer parte da festa promovida pela elite dessa sociedade.

Por fim, estes jovens estão nos dizendo que não aceitam mais essa situação.que a partir de agora vão fazer valer os direitos inscritos na nossa Constituição: liberdade e igualdade.

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6 responses to “O que os jovens que praticam o “Rolezinho” querem nos dizer ?

  1. Anónimo 22/01/2014 às 10:31

    Que piada esse PET do Direito. Vergonha dessa faculdade.

    • Gustavo 22/01/2014 às 15:25

      Anônimo, se você não curte o PET-Dir e discorda do que foi e é postado aqui no nosso blog, você tem o todo o direito de manifestar sua posição.

      Só não generalize isso pra Faculdade de Direito inteira, achando que você deve ter vergonha de todos. E acredite, se você sente vergonha por muitos de nós, muitos de nós sentem vergonha por você.

      Abraços.

  2. Anónimo 23/01/2014 às 18:50

    Para mim eles nao querem nos dizer nada disso. Um grupo resolveu “zoar”, apareceu na mídia e virou moda. Quem quer interpretar politicamente são os ditos intelectuais, que aproveitam para colocar as desigualdades sociais sobre as desordens absurdas. Quem está num shopping se assusta, obviamente, com dezenas de jovens gritando e correndo. Eles podem, sim, entrar e passear civilizadamente nos shoppings. Mas essa proteção ridícula, querendo tratar bagunça como manifestação, gera prejuízo a lojistas e medo à população civilizada – independente da renda e classe. Educação e respeito são valores familiares existentes em qualquer nível social.

  3. sérgio brum 23/01/2014 às 19:20

    Concordo com este anônimo, venho de um lar humilde, talvez muito mais do que a maioria desses jovens de periferia, pois nem boné podia comprar e nem uma bermuda. Aprendi com meus pais que dignidade se conquista com trabalho e isso não quer dizer ficar rico; honrar os mais velhos, respeitar as leis, temer as autoridades, enfim ser pobre e menosprezado não leva a atitudes injustificáveis, tem meios melhores de se posicionar. É correr atrás, pois indiferença nunca deixará de acontecer, discriminação sempre estará em nosso meio, isso infelizmente faz parte do ser humano, temos que aprender em conviver, ter jogo de cintura sempre, forçar a barra, impor não, nem sempre adquire respeito, as conquistas vem de dentro e também com educação, seja no lar e complementada na escola, o mundo também nos ensina. Mas quem quer facilidade, quer igualdade em sentido amplo, isso nunca existiu, que coloquem culpa no capitalismo, mas no socialismo também quem estar no poder tem seus privilégios e o resto do povão se lasca. O que está acontecendo no Brasil é impunidade começando de cima pra baixo, e assim o efeito é de cascata, atingindo vários setores e crescendo, juntamente com leis penais do século passado. O que está faltando acima de tudo é as pessoas buscarem mais a Deus, certeza que incrédulos irão dizer que é coisa de religioso, fanáticos. Hoje nos Estados Unidos se perguntam porque tanta violencia no país, pois lá também tem, apesar das leis serem mais adequadas, a resposta foi dada por pessoas especialistas na área dizendo que depois que foi criado uma lei para extirpar ensinamento religioso nas escolas, é que as coisas mudaram de rumo. Pelas reportagens parece que no Brasil tem aumentado e muito crimes, assaltos e não tem idade, do menor até a terceira idade, inclusive quando criança os mais velhos respeitos punham respeitos e eram respeitados, hoje temos vovô e vovó do craque, mulinhas internacionais, menores de 12 anos com armas na mão. Se estes jovens, segundo a ótica do Alexandre Bernadino Costa, querem mostrar algo e tem essa capacidade, então também teriam a capacidade de ver que o caminho não é este, eles podem se organizar e com planos mirabolantes que realmente vão e muito sensibilizar uma nação, marcar sua época. Sou leigo, muito observador, experiente na vida, pois trabalho desde adolescente, não tenho curso superior, qualquer um que ler essa minha ótica, tem o direito de discordar, mas uma coisa tenho certeza, temos que zelar, cuidar, educar nossos filhos e influenciar ser exemplo para os nossos netos, senão amanhã será um novo tipo de rozelinho e muitos sofrerão cosequencias e sérias, não teremos paz, comunhão entre famílias, entre irmãos brasileiros, todos inseguros.

  4. Anónimo 24/01/2014 às 15:52

    Diria que esse texto é mais um clichê…

  5. Alguém 24/01/2014 às 15:54

    Mais um texto clichê…

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