Da exaustão de se entregar demais e dos dissabores do trabalho em conjunto

Por Abel de Santana

Serei breve, acredito. Já adianto-me nas desculpas agora, caso assim não o seja. Prometi a mim mesmo que não voltaria atrás para substituir uma palavra sequer, o que inclui a apresentação tola.
Como é pertencer ao meio que você sabe que não te pertence?
Cabem metros nessa resposta. Ser diferente não é um mal. Não deveria. Como tendente ao materialismo, não sou capaz de violar o que diz respeito à razão do mundo material, sem desconsiderar a utilidade pragmática do discurso, antes acreditando que, por si só, não é critério de validade para nada. A composição de interesses (e não de posições) é via segura para estabilização de expectativas com respeito ao outro. Não posso me estribar em superficialidades. Seria negar-me a mim mesmo a verdade.
A verdade não existe, eles dizem. Mas é claro, se já de início emerge a declaração mentirosa.
Ah, a ontologia.
Birra ideológica é ódio. Quando o critério é o conflito pessoal perante o grupo, não há critério, é ódio. E hipocrisia.
Hipócritas destilam seu ódio o tempo todo com declarações homicidas a respeito do outro. Reclamam da teoria do inimigo, mas de tanto conhecê-la, sabem aplicá-la com precisão.
Que não seja levado a mal. Que eu não seja mais o mau.
Discutir censura? Tá pensando sério? Não sou capaz de levar a sério.
Tão bom seria se houvesse mais discordância, mas na discordância, tolerância e respeito.
Daí voltamos ao ideal social-democrata da não violação da autonomia privada e liberdades individuais e promoção de direitos fundamentais.
É o pensamento menos genocida que sou capaz de alcançar.
Não se trabalha sem autonomia, não se respira sem liberdade, não se contesta sem diretos.
Estive recatado do lado mais intolerante da moeda. Eles pregam o contrário.
Eu quis não me manifestar. Mas a expressão máxima de vontade no que diz respeito às próprias aspirações; a negação da disciplina quando se deve assumir e cumprir compromissos; o esmagamento meramente moral do argumento contrário; o trabalho em conjunto torna-se inviável, a menos que se queira construir o constructo jocoso.
E é por me entregar demais que hoje jogo a toalha.

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Se eu fosse um garoto

Por Nathálya Ananias

Se eu fosse um garoto
Nem que fosse por um dia
Eu não teria brinquedos que remetem ao meu futuro de dona de casa
Não teria uma boneca para cuidar
Brincaria de tudo o que eu quisesse
E seria sempre o super herói da história
Não teria que amadurecer logo cedo
Olharia debaixo das saias das meninas
Porque vocês ririam das minhas peripécias

Se eu fosse um garoto
Eu não planejaria a minha vida com base em uma família
Me imaginaria uma estrela do rock
Transaria sem me preocupar em ser taxado
Não seria exclusivo, porque afinal ninguém me possui
Se branco, me imaginaria sempre nos cargos mais altos
Eu teria um mundo todo para desbravar
Porque sei que grandes não seriam as dificuldades para mim

Se eu fosse um garoto
Beberia com os amigos
Faria coisas estúpidas sem me importar
E seria protegido
Me colocaria em primeiro lugar
E me vestiria como quisesse
Não teria problemas ao cortar meu cabelo curto
E mesmo estando acima do peso me veria desejado
Porque afinal eu seria um cara normal

Se eu fosse um garoto
Dirigiria sem o pressuposto de mau motorista
Não aceitaria um não como resposta
Voltaria sozinho para casa a noite
Iria para as forças armadas
E defenderia meu país
Abortaria quando quisesse
Ficaria nervoso a qualquer momento
Não teria receio em ser mal educado
E teria um mundo todo construído para mim

Mas eu não sou garoto
E preciso viver restritamente
Meus brinquedos me mostram a posição que eu devo assumir dentro de casa
Preciso sentar sempre de pernas fechadas
Não posso usar um decote sem ser provocante

Não posso ter o cabelo curto e ser “feminina”
Não tenho o direito de ser quem eu quero
De decidir o que quero fazer com o meu corpo
Porque independente do que eu faça serei vadia

E quando eu acho que tudo isso está errado
E decido me livrar do que você me impõe
Sou louca, histérica
Feminista sem coração que defende a morte
Sou a mal amada
A que precisa de um homem para me mostrar o que é certo

Mas eu decidi jogar seus preconceitos pro ar
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E com esta decisão percebi que não estou sozinha
Muitas estão ao meu lado lutando
E juntas, permaneceremos lutando
Até o dia em que nós mulheres tenhamos os mesmos direitos dos homens
Até o dia em que não sejamos culpabilizadas por algo que foi feito a nós
Até o dia em que possamos decidir sobre a nossa vida sem ter você nos julgando
Nos excluindo de grupos sociais
Podem nos chamar do que quiserem
Mas avançamos e não aceitaremos retroceder jamais!

II MÊS DA PESQUISA DO PET-Dir/UnB

O PET – Dir convida toda comunidade discente e docente para participar do II Mês da Pesquisa com o tema “Inovação dos métodos de pesquisa em direito e renovação da produção em pesquisa”. Nele serão realizadas palestras, oficinas e minicursos. Toda programação encontra-se no site:

Além disso, ao longo do mês, serão postadas informações de horário, local e palestrante referentes a cada evento na página do Facebook (https://www.facebook.com/mesdapesquisa/).

O objetivo do evento é elucidar questões que concernem ao âmbito da pesquisa, além de fomentar sua prática, principalmente por alunas/os da graduação. O primeiro evento será a Mesa de Abertura no dia 03/05, às 19 horas, no Auditório Joaquim Nabuco (https://www.facebook.com/events/522387561219891/)!!

*Os eventos darão horas complementares e as inscrições podem ser feitas pelo link: http://goo.gl/forms/Ovz0Abwhsw