Programação completa Narrativas do Cárcere: Políticas de resistência no socioeducativo e no sistema penitenciário

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Ações Afirmativas

por Thalita Najara

Afirmo.
Afirmo que estudei história europeia,
língua portuguesa
e música erudita alemã.
Prestei vestibular por uma escola pública
que não me ensinava outra coisa, a não ser cidadã.
Bate horário.
Fecha portão.
Patrão desconta o salário.
Opa, era só ensaio!
Mais um dia na escola no Varjão.

Afirmo que entrei numa sala branca.
A preta só se dizia respeito a gente do outro lado da cena:
Preta que aborta;
Preto que é preso.
O que é direito?
Negação.

Sou objeto de estudo de uma fila de ônibus
Ao lado da fila de ônibus da Papuda.
110, vai UnB?
Ou exatamente ao lado:
Roupas brancas para o seu marido ou seu irmão?

Cotista.
Isso me dizia respeito?
Corredores. Intervalo. Gente branca.
Nunca me perguntaram,
porque para eles era óbvio!
Uma das poucas pretas aqui,
só podia ser cotista ali.

A História se repetia.
Doutrinador alemão. Jurisprudência estadunidense.
Vestimenta preta para advogado penalista.
Já vai enterrar alguém.
Afirmo.
Afirmo o que?

Epistemicídio por uma gente que paga para ter aula de samba.
Enquanto não nos dirige nem um “Bom dia”.
Que me acusa de parcialidade,
enquanto só cita cara italiano do século XVI.
Vou te contar o que é letra de câmbio
às dez horas da noite nas 500 de Samambaia:
liquidez do negócio jurídico rápida e certa.

Afirmo.
Não uso nome de escrava.
Turbante vai na roupa social sim.
E te respondo nessa rima.
Que ris com seus colegas
nas aulas de Direito Internacional
E se assusta com dez negros de Black e rasta reunidos no terreno.
Direito?
Isto é quilombo.
Se te incomoda a minha cor,
saber Direito tanto quanto ti é que te deixa de cabelo em pé.
Não como meu sarará criolo.
Que este fi, está cheio de acestralidade.
Cresce para cima para lembrar às irmãs.
Afirmo: sou negra.

Universidade que percorre todo o topo do mundo
Menos o meu.
Que recusa conhecimento de minha própria esquina,
por ser terra de terreiro.

Afirmo porque não me destes uma cota deste patuá.
Não é cota, mas ações.
Ações afirmativas.
Porque estou cansada de suas boas intenções.
E más também.
Ações.
Porque afirmo.
Que racismo é história silenciada.
Mas que magicamente você aprendeu.
A me ver como elemento suspeito.

Não é sentimento,
apesar de você detonar meu psicológico.
É racismo estruturante.
Estrutural.
Catadoras de materiais recicláveis.
Cato esperança, mas cai na real.
Sou preta. Preta livre.
E não o que queres me chamar: apenas liberta.
Ações. Pois afirmo. Ações afirmativas de minha gente.

Relação dos artigos aprovados para apresentação nos GTs do Narrativas do Cárcere: Políticas de Resistência no Socioeducativo e no Sistema Penitenciário

Informamos que algumas alterações e remanejamentos nos GTs foram necessários para que as apresentações ocorram em tempo hábil e, ainda, com espaço de tempo para debates.

Data e horário das apresentações dos GTs: 04/11 (quarta-feira), às 14:30.

Local: Faculdade de Direito da UnB, Brasília – DF (salas a serem definidas)

Os artigos completos dos respectivos resumos aprovados e listados abaixo, deverão ser enviados, de acordo com o Edital nº 02/2015, ao e-mail petdireitounb@gmail.com até o dia 22 de novembro de 2015.

Os artigos completos enviados até esta data serão publicados nos Anais Eletrônicos do evento.

Agradecemos a todas e todos pelo envio dos trabalhos! s2

Cliquei aqui: Relação dos artigos aptos a serem apresentados no Narrativas do Cárcere

Foice o tempo (?)

por Laiana Rodrigues

Quando o dia dura mais que uma semana
 O tempo se reverte, preguiçoso, rasteja
 Às vezes, tal qual asno, empaca
 Emanando tensão
 De mim ele graceja
 Mas, e eu?
 Muita ansiedade
 E até mesmo apatia
 Tem horas que sou desânimo
 Tem horas que sinto perder a estribeira
 Rezando para que, chegando ao meio-dia,

 Ainda não seja terça-feira

Ainda não seja enxaqueca
Ainda não seja estafa
Que seja festa, que seja farra
Entretanto, os problemas não são solucionados por decreto
Quisera eu que fosse
E esse meu delírio que, por intensidade, é eterno
Quando menos espero: foi-se



                                                                                 

                                         

 

Por que você faz extensão?

por Fernanda Martins

Para mim, isso é tão natural que a primeira resposta que vem a minha cabeça é “por que eu não faria?”. Mas, bem, fizeram-me essa pergunta e eu tentei explicar com palavras aquilo que mais dá sentido a minha experiência universitária.

Eu faço extensão porque acredito que Universidade não se faz só com sala de aula, porque acredito numa educação libertária, consciente de subjetividades e que paute a troca de experiências;

Eu faço extensão porque acredito no poder transformador da educação popular, porque acredito que cada sujeito pode ser protagonista de microrevoluções diárias e que com união é mais fácil promover mudanças sociais;

Eu faço extensão porque acredito que cada vivência é um aprendizado, que cada saber é conhecimento válido e que existe uma saída ao discurso hegemônico e imperativo que somos obrigados a absorver todos os dias;

Eu faço extensão porque acredito no diálogo, porque quero me transformar a partir de outras pessoas e transformá-las a partir de mim. Quero plantar um pouco de mim nelas e colher um pouco delas em mim;

Eu faço extensão porque não quero uma Universidade apartada da realidade que a circunda, fechada em si e em sua própria epistemologia. Eu quero uma universidade que abrace a diversidade, que seja mais plural, mais cheia de vivências. Eu quero uma universidade que seja de todos os sujeitos que a desejarem;

Eu faço extensão porque quero questionar e ser questionada, porque quero me permitir ser tocada por experiências que não as minhas e, com isso, me (des)construir;

Eu faço extensão porque gosto de criar laços, porque quero que o afeto seja parte da academia, porque acredito que o amor é a melhor forma de quebrar muros invisíveis.

Eu faço extensão porque isso que me completa, que dá sentido a minha formação como cidadã. Eu faço extensão porque não quero que a sala de aula atrapalhe meu aprendizado.

As dores do processo do empoderamento feminino

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Por Luiza Miranda

Quando entrei na Universidade, há 3 anos atrás, ainda estava com a cabeça lá no Ensino Médio. Achava que a mulher deveria “se dar o respeito” e todos esses tipos de bobagens construídas socialmente que penetram nosso inconsciente desde cedo. Eu namorava há mais ou menos 1 ano e era vista como a garotinha exemplar, santa, que serve ao namorado e que mantém a relação perfeita. Mentira. Tudo mentira. Nada passava de aparências que a sociedade me rotulava e que eu tentava ao máximo não me desviar.

Eu achava que o sexo era basicamente uma forma de dar prazer ao homem e que dependia do meu desempenho sexual/afetivo/submisso a garantia de não-traição por parte do namoradinho. Mas isso durou até os primeiros meses de faculdade. O namoro acabou, fiz novos amigos e passei a me interessar mais por política. E foi na Universidade que aprendi o que é o feminismo e todo o meu processo de empoderamento começou.

Sempre fui uma pessoa muito extrovertida na presença de amigos e amigas. Então peguei o jeito rápido da vida universitária de “curtir a vida adoidado”. Comecei a beber socialmente e a sair para festas (ambientes que eu nem imaginava frequentar antes da universidade). Beijar na boca de desconhecidos então, quem nunca? As ficadas casuais passaram a fazer parte da minha vida. Mas todo esse processo de empoderamento, de beijar quem eu quisesse, beber o quanto eu quisesse, usar as roupas que eu quisesse e entender melhor meu corpo e minhas limitações, trouxe consigo as violências.

Decidi escrever esse texto porque ninguém me avisou que a partir do momento que eu me apresentasse como uma mulher independente, feminista eu ia sofrer algumas violências que eu não sofria quando ainda estava no casulo. Eu realmente achava que, aprendendo as coisas que aprendi sobre feminismo, sobre abusos em relacionamentos, sobre liberdade sexual feminina, eu não iria mais passar por nenhuma situação de violência. Oras, eu sei como me prevenir, não? Não. Eu estava bem enganada. Não importa o tanto de teorias que lemos que nos dizem frases do tipo “meu corpo, minhas regras”, “o feminismo liberta”,  sem termos a consciência de que o processo de libertação vem acompanhado de abusos de vários tipos.

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Por isso, faço uma pequena lista das violências que mulheres em seu processo de empoderamento podem se identificar (e espero, mas ao mesmo tempo não espero, que se identifiquem):

1. O “não-merecimento de respeito”

Quando as mulheres começam a ter relações sexuais casuais, muitas do tipo “one night stand”, podemos nos confrontar com caras que acreditam que, por sermos mulheres que quando temos vontade transar, transamos, não somos merecedoras do respeito deles. Isso pode acontecer de várias formas. Desde o cara que não te cumprimenta mais quando te vê em espaços públicos até aquele que sai contando pros amiguinhos tudo que vocês fizeram na cama e como você é uma vadia mesmo, do jeito que falam por aí! Essa violência creio ser muito comum e uma das mais doloridas.

2. “Ué, mas você pegou meu amigo!”

Você está na balada se divertindo com seus amigos, despreocupada, a fim de dançar, quando chega um sujeito e começa a dar em cima loucamente. Você diz NÃO enfaticamente e o que ele diz? “Ué, mas você pegou meu amigo! Se você não tem problemas em ficar com qualquer um, por que não comigo?”. Já perdi as contas de quantos caras acham que, por eu beijar quando quero beijar, isso é sinônimo de “pego qualquer um, até quem eu não me sinto atraída”. Eu beijo quem EU quiser, e isso vai excluir muita gente, porque a minha seletividade ainda existe e sempre existirá.

3. A recusa da camisinha

Um comportamento violento que nem sempre é reconhecido dessa forma é a recusa do uso da camisinha. Vários rapazes utilizam o argumento de que “broxam” de camisinha ou então de que “escolhem as pessoas com que transam, por isso não tem que haver preocupações” ou mesmo alguns chegam a usar tom agressivo: “você ta achando que eu tenho alguma doença?”. O que essa rapaziada não entende é que DSTs não têm gênero, raça, orientação sexual e nem classe. E, quando as minas reclamam ou insistem no uso do preservativo, são inúmeras as  reações de repreensão por partes dos homens. Desde falas como: “você é fresca”, até a recusa do ato sexual por completo. Além disso, nem toda mina toma pílula anticoncepcional, e se ela não quiser, nem vai tomar mesmo e pronto. Não é o seu corpo, cara, que está sendo bombardeado de hormônios com vários riscos de efeitos colaterais. Se a camisinha te broxa ou qualquer outra desculpa, não interessa. Coloca a camisinha e não reclama.

4. As festas

Pode parecer que eu estou generalizando ao atribuir a esse tópico o título de “festas”. Muitas festas são realmente ambientes em que as minas se sentem confortáveis, como as festas LGBT, em sua maioria. Mas muitas festas, muitas mesmo, são ambientes de violência latente contra a mulher. Como uma mulher solteira, por não ter um namorado do lado (esses machos só respeitam machos!), acabo ficando mais vulnerável a certos tipos de abusos. Caras que se acham no direito de passar a mão nas suas partes íntimas, que chegam agarrando, que não se contentam com o simples “não” são muitos comuns nas festinhas que rolam por aí. As festas são um espaço de muita violência.

Propus-me a escrever esse texto baseado unicamente nas minhas experiências como mulher solteira que possui relações casuais heterossexuais. O processo de empoderamento para mim foi e ainda é muito doloroso. As violências sofridas deixam marcas, tanto na alma quanto no corpo. Não desencorajo nenhuma mulher a procurar o caminho do empoderamento. Pelo contrário, é um caminho necessário e que traz muitos bons frutos. Mas é preciso alertar que ele vai ser doloroso em muitos aspectos. Mas não desistamos. Seguimos juntas.

RESULTADO PRELIMINAR DAS INSCRIÇÕES

Atenção candidatas e candidatos, segue o resultado preliminar das inscrições para o Processo Seletivo 2/2015 do PET Direito UnB.

Vinte e seis (26) pessoas tiveram suas inscrições deferidas segundo os requisitos! Agradecemos muito o interesse de vocês! ❤

A lista está ordenada por matrícula:

11/0110188
11/0131754
12/0123258
13/0063657
13/0105562
13/0106607
13/0114910
13/0128481
14/0018468
14/0018976
14/0028447
14/0048511
14/0060260
14/0087451
14/0096311
14/0128697
14/0137815
14/0146253
14/0158961
14/0170308
15/0010036
15/0013191
15/0031769
15/0039751
15/0079354
15/0087519

-> Inscrições que não preenchem os requisitos:

12/0128527 (IRA abaixo de 3,0)

13/0126608 (falta Ficha de Inscrição DAIA; falta o histórico escolar com IRA; falta CPF)

14/0181237 (falta uma ficha)

15/0135351 (falta o histórico escolar com IRA)

Lembramos que a interposição de recursos para as inscrições que não cumpriram os requisitos deve ser feita até o dia 05/10, segunda-feira, na Secretaria da FD até às 21hrs.

Boa sorte 🙂