Suicídio

Suicídio. 
Su i cí dio
S u i c í d i o.
Suicídio: ato de acabar com a própria vida.
32 brasileiros se matam por dia e a maioria dos casos poderiam ser evitados.
Suicídio não é covardia, não é fraqueza, não é óbvio, e fechar os olhos e fingir que não existe não vai ajudar a solucionar este problema.
 
Talvez seja necessário repetir mais algumas várias vezes s u i c í d i o, para que as pessoas entendam e se acostumem que esta palavra não deve ser um tabu, e que não é vergonha nenhuma falar sobre o tema. O suicídio não é vergonhoso nem conhecer alguém que fez e muito menos pensar em fazer isso; vergonhoso é ignorar e se manter inerte sobre este problema tão grave que nos ronda.
 
TRINTA E DOIS brasileiros por dia tiram suas próprias vidas, este número é maior que as taxas de pessoas mortas por AIDS e pela maioria dos tipos de câncer¹. Estas pessoas convivem com a gente, são nossos colegas de classe, vizinhos, amigos, parentes, conhecidos, aquela pessoa que vemos sofrendo e ignoramos. E mesmo assim continuamos calados. A verdade é que nós matamos 32 pessoas por dia, pois o sofrimento do outro não nos afeta, somos inertes aos outros e seus problemas.
 
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde 9 entre 10 casos poderiam ser prevenidos. Talvez se a nossa sociedade não tivesse tanta vergonha de falar sobre o tema, se nós não fossemos tão individualistas e incapazes de se afetar com os outros, se não houvesse tantos julgamentos e mais atenção, se as pessoas soubessem que é normal sofrer e pedir ajuda, esse quadro seria diferente. Mas a verdade é que é difícil pedir ajuda quando parece que tudo nos culpa por termos um problema e nos obriga a escondê-lo. Esse mal é silenciado como se assim pudéssemos, ao negar que ele existe, fechar os olhos para sua existência.
 
Mas isto precisa parar e algumas coisas precisam ser ditas:
 
1.  Suicídio não é covardia. Durkheim já falava sobre esse assunto em sua época, mas mesmo hoje tratamos disso como se fosse vergonhoso falar que alguém cometeu suicídio, como se isso fosse “estragar” a imagem da pessoa. O suicídio é um aspecto psicológico, social e político. É um aspecto psicológico pois em muitos casos encontra-se ligado a doenças psicológica, e é necessário o tratamento, o acompanhamento pelas pessoas que estão perto e por profissionais que possam orientar. E isso vai além da depressão, pois pessoas afetadas por outros tipos de doenças psicológicas tem maiores riscos de suicídio. É um problema social: pessoas pertencentes a minorias sociais em vista do preconceito, e de situações críticas que enfrentam diariamente são pressionadas e estigmatizadas de tal forma que a vida passa a ser vista como uma vida impossível². É um aspecto político, em vista que políticas públicas, atuando em diversos campos (familiar, proteção de crianças e adolescentes, entre outros) e projetos de conscientização são necessários para que possamos discutir sobre isso, para que as pessoas possam falar sobre isso.
 
2.  O suicídio não é óbvio. Da mesma forma, depressão e outros sofrimentos psíquicos não são óbvios, e por isso é necessário nos atentarmos muitas vezes a detalhes e pequenas mudanças. É necessário estarmos abertos para conversar sobre isso. Nem todos estamos preparados para lidar com isso, mas a simples ideia de que alguém liga, alguém se importa é muito importante.
 
3.   Suicídio não é falta de Deus. Não podemos envolver a religião em tudo e tentar empurrar suas justificações goela à baixo. O Suicídio é um aspecto complexo, e é um problema, como dissemos anteriormente, social, político e psicológico e as pessoas que veem como única e última opção o suicídio, fazem isso por muitos motivos, e não podemos reduzir isso a um motivo religioso. 
 
4. Não falar, fechar os olhos, negar que o suicídio existe não vai fazer que ele pare de acontecer. Escutar, abrir os olhos e conversar sobre isso pode evitar que mais alguém morra. 
5. Caso precise de ajuda ligue 141, Centro de Valorização da Vida (CVV). 
 
² COVER, Rob. Queen Youth Suicide, Culture and Identity: Unliveable Lives?
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