Seleção PET – Edital nº 1/2012

O PET/Direito UnB torna pública sua chamada para novos/as integrantes. Durante os meses de novembro e dezembro de 2012 será realizada a seleção de alunas/os para compor o grupo. As inscrições vão de 06 de novembro de 2012 a partir de 09h00 a 16 de novembro de 2012 até 21h00 na Secretaria da Faculdade de Direito da UnB. Serão ofertadas 1 vaga para bolsista e 4 vagas para não bolsistas.

No ato da inscrição, o(a) estudante deverá apresentar:
– Ficha de inscrição e questionário devidamente preenchidos; (Ficha de Inscrição disponível aqui e Questionário de Inscrição disponível aqui. Ambos também serão disponbilizados na xérox da FA – Pasta do PET)
– Histórico escolar emitido pela coordenação de graduação do curso contendo índice de rendimento acadêmico;
– Cópia do documento de identidade e CPF.

Segue o Edital nº 1/2012 completo:

Universidade de Brasília
Decanato de Ensino de Graduação – DEG
Diretoria de Acompanhamento e Integração Acadêmica – DAIA
Coordenadoria de Monitoria, Intercâmbio e PET – CMIP

EDITAL DE SELEÇÃO DE ALUNOS PET

EDITAL Nº. 1/2012 

O Departamento de Direito da Universidade de Brasília torna público o processo de seleção para alunos do Programa de Educação Tutorial (PET), da Secretaria de Ensino Superior (SESu/MEC) e do Grupo PET Direito da UnB. Os interessados deverão atender aos requisitos e obedecer ao cronograma de atividades especificado neste edital.

1. INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O PROGRAMA

O PET é um programa acadêmico direcionado a alunos(as) regularmente matriculados(as) em cursos de graduação, que se organizam em grupos, recebendo orientação acadêmica de professores(as)-tutores(as), que tem como objetivos:

  • efetivação do tripé da educação superior extensão, pesquisa e ensino;
  • o envolvimento dos(as) estudantes que dele participam em um processo de formação integral, propiciando-lhes uma compreensão abrangente e aprofundada de sua área de estudos;
  • a melhoria do ensino de graduação;
  • a formação acadêmica ampla do(a) aluno(a);
  • a interdisciplinaridade;
  • a atuação coletiva;
  • o planejamento e a execução, em grupos sob tutoria, de um programa diversificado de atividades acadêmicas.

2. INSCRIÇÕES E VAGAS 

2.1 As inscrições serão realizadas na secretaria do Departamento de Direito, no período de 6 de novembro de 2012 a 16 de novembro de 2012, no horário de funcionamento do guichê de atendimento aos alunos de graduação, com término às 21h00 do 16 de novembro de 2012;

2.2  Serão ofertadas 1 (uma) vagas para bolsistas e 4 (quatro) para não bolsistas.

3. ORIENTAÇÕES 

No ato da inscrição, o(a) estudante deverá apresentar:

3.1 Ficha de inscrição e questionário devidamente preenchidos; (Ficha de Inscrição disponível aqui e Questionário de Inscrição disponível aqui)

3.2 Histórico escolar emitido pela coordenação de graduação do curso contendo índice de rendimento acadêmico;

3.3 Cópia do documento de identidade e CPF.

4. REQUISITOS PARA A INSCRIÇÃO NO PROCESSO SELETIVO

Para inscrição no processo seletivo, o(a) candidato(a) deverá:

4.1  Possuir índice de rendimento acadêmico (IRA) maior ou igual a 3,0;

4.2 Estar devidamente matriculado a partir do segundo período do Curso de Direito da UnB.

5. CONDIÇÕES PARA A EFETIVAÇÃO DO(A) ALUNO(A) PET 

Para preenchimento da vaga, o(a) aluno(a) PET deverá:

5.1  Ter sido aprovado(a)  no processo de seleção;

5.2  Não acumular bolsa (em caso de bolsitas) de outro programa ou projeto vinculado a   CAPES;

5.3  Ter disponibilidade para dedicar 20 (vinte) horas semanais às atividades do Grupo     PET Direito.

6. ETAPAS DO PROCESSO SELETIVO

A seleção será feita em três etapas, divididas em fases. A primeira etapa, de caráter eliminatório e classificatório, consiste de uma avaliação escrita (prova de conhecimento sobre temas referentes às disciplinas Introdução ao Direito 1, Introdução ao Direito 2, Pesquisa Jurídica, Introdução à Sociologia, Introdução à Ciência Política, Sociologia Jurídica, História do Direito e conhecimentos gerais) e da análise do histórico escolar. Somente os(as) candidatos(as) que obtiverem desempenho maior ou igual a 60% da pontuação máxima possível nessa etapa serão selecionados(as) para participarem da segunda etapa. A segunda etapa, de caráter unicamente eliminatório, consiste em uma visita a Cidade Estrutural com acompanhamento das oficinas realizadas pelo PET-Direito, o(a) inscrito(a) deve escolher o turno da manhã ou da tarde para comparecer no questionário de inscrição. A terceira etapa, de caráter eliminatório e classificatório, consiste de uma entrevista com a Comissão responsável pela seleção, combinada com a análise das respostas às perguntas do questionário de seleção de aluno PET (em anexo) e da prova escrita.

6.1 As atividades do processo seletivo serão realizadas de acordo com o cronograma a seguir:

  Evento Data/Horário Local
Período de inscrições Início das inscrições 6 de novembro de 2012

A partir de 9h00

Secretaria da Faculdade de Direito da UnB (FA)
Fim das inscrições 16 de novembro de 2012

Até 21h00

1ª Etapa Prova de conhecimento

19 de novembro de 2012

14h30 – 17h30

FA A1 – 04
Análise do histórico escolar 20 de novembro de 2012 FA CT – 07
Divulgação do resultado da 1ª Etapa 22 de novembro de 2012 Mural da Faculdade de Direito e http://www.petdirunb.wordpress.com
2ª Etapa Visita à Estrutural 24 de Novembro de 2012

Manhã: 8h00 – 12h30

Tarde: 14h00 – 18h30

Encontro na FA
3ª Etapa Entrevista e análise da documentação 27 e 28 de Novembro 14h00 – 18h00 FA CT – 07
Divulgação do resultado da seleção 3 de dezembro de 2012 Mural da Faculdade de Direito e http://www.petdirunb.wordpress.com

6.2 Na tabela a seguir consta a pontuação máxima atribuída a cada fase do processo seletivo.

Etapa Fase Pontuação máxima
1ª Etapa Prova de conhecimento 50
Análise do histórico escolar
2ª Etapa Visita à Estrutural Meramente eliminatório
3ª Etapa Entrevista e análise da documentação 50
  Total 100

6.3  Dos critérios de avaliação e classificação. 

6.3.1 Serão eliminados(as) os(as) candidatos(as) que obtiverem pontuação inferior a 25 na primeira etapa e(ou) 25 na terceira etapa;

6.3.2 Os(As) candidatos(as) não eliminados(as) serão ordenados(as) de acordo com os valores decrescentes das pontuações totais obtidas nas duas etapas e constituirão a lista de aprovados;

6.3.3 Caso haja candidato(a) aprovado(a), mas não selecionado(a) dentro do número de vagas, eventualmente poderá vir a ser convocado(a) para ocupar nova vaga que surja durante a validade do edital 1/2012.

7. DISPOSIÇÕES FINAIS 

7.1 Informações   adicionais   sobre   o   PET   poderão  ser   obtidas   no   sítio: http://www.mec.gov.br/pet. e informações sobre o Grupo PET (Direito), seus integrantes e as atividades realizadas estão disponíveis no link do grupo em: http://www.petdirunb.wordpress.com;

7.2 O(A) candidato(a) selecionado(a) deverá iniciar as suas atividades no início do mês após a homologação do resultado pelo Comitê Local de Acompanhamento – CLA imediatamente após a divulgação do resultado da seleção, para assegurar sua condição de bolsista;

7.3  A inscrição dos(as) candidatos(as) implica a aceitação dos termos deste edital;

7.4 O(A) candidato(a) classificado(a) assinará termo de compromisso específico com a UnB e com o MEC;

7.5 O(A) bolsista do grupo PET Direito receberá, mensalmente, bolsa no valor de R$ 400,00 (quatrocentos reais);

7.6 O(A) candidato(a) selecionado(a) receberá um certificado de aluno PET após a permanência de dois anos de grupo;

7.7  Este edital terá validade por 1 ano a partir da homologação do resultado;

7.8  Os casos omissos serão decididos pela Comissão responsável pela seleção;

7.9  O presente edital entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 24 de outubro de 2012.
Prof. Alexandre Bernardino Costa
Tutor do Grupo PET Direito
Universidade de Brasília (UnB)

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Seleção 2013!

É com muita satisfação que o PET-Dir UnB anuncia: vem aí uma nova seleção de petianas e petianos. Mal podemos esperar por mais gente nova, com novas motivações, inquietações, mais gás ao nosso querido projeto. Você já pensou em ser um(a) de nós?

Não? Tudo bem, ainda dá tempo de subir aquele comichão na boca para falar: “eu topo, por que não?”

Mas o que é o PET? O que se faz lá?

Apenas dormir metade do que você dorme hoje em dia.

Mentira!

Que fique claro: não é um bicho de sete cabeças. É preciso acabar com esse estereótipo de que não se dá par fazer mais nada da vida quando se é do PET.

O que nós teremos que fazer é continuar tentando indissociar verdadeiramente Ensino, Pesquisa e Extensão. Assim, continuaremos a acompanhar as disciplinas de Pesquisa Jurídica e PAD-1 Direito Achado na Rua; a nos reunir semanalmente no grupo de estudos lendo textos, cuja temática é escolhida pelo grupo e possui um viés crítico em relação ao direito; e por último, e talvez mais importante, continuar construindo nossos projetos de Extensão na Estrutural, que são: Economia Solidária no Banco Comunitário da Estrutural, Oficina de Direitos Humanos (sábado pela manhã) e a Oficina de Teatro (sábado pela tarde), dentre as quais você escolherá a que mais lhe interessar. Além disso tudo, temos nossa reunião administrativa, quando discutimos e deliberamos sobre pautas burocráticas e planejamos os eventos, como, por exemplo, o Luz e Sombra no Museu, a produção de nossa revista Quiáltera e das nossas oficinas.

Fora isso, só o grupo de emails, que cumpre um papel importante para nos organizarmos bem!

Ok, mas como entrar no PET?

Isso já foi dito aqui, mas, enfim, existe uma Seleção. Primeiramente, temos que salientar que “selecionar” pessoas é algo que vai totalmente de encontro ao modo como concebemos a Educação. Porém, o PET é um programa institucionalmente vinculado ao MEC e isso nos sujeita a determinados requisitos. Isso não impede, entretanto, que nossa crítica continue sendo feita e aplicada na Seleção, na medida do possível. Logo, não é preciso esperar uma prova conteudista, cujos critérios de avaliação sejam número de autores citados ou de artigos decorados do código. A nossa seleção procura ser um espaço interativo, que promove criticidade e sensibilidade.

A prova escrita, primeira parte da Seleção, será no dia 19 de novembro. Seguida da entrevista (que poderá ser no dia 27 ou 28/11, dependendo da sua ordem de inscrição) e uma visita às/aos extensionistas da comunidade da Estrutural, no dia 24/11.

Mais informações sobre inscrição e documentos necessários serão postadas aqui no blog e também nos murais da FD.

Sobre quaisquer dúvidas, fique à vontade para comentar aqui na publicação ou procurar o PET ou @s petian@s no Facebook.

Pra você, então, a gente se despede com um até breve.

Vem, gente!

Pensando a Universidade com o Teatro do Oprimido

O PET-Direito UnB preparou com muito carinho uma atividade para a Semana Universitária da Universidade de Brasília que acontecerá dos dias 22 a 26 de Outubro de 2012. Inspirados na Oficina de Teatro desenvolvida na Estrutural, o grupo realizará uma atividade baseada na experiência teatral, com a metodologia do teatro do oprimido. Os participantes discutirão e representarão por meio do teatro temas relevantes em relação à Universidade, como segurança no campus, o método de ensino e avaliação, a extensão universitária e a reprodução do conhecimento. Muitas surpresas aguardam aqueles que participarem, com direito a Pink Floyd, arte e muitos sorrisos! Solte-se com a gente. Detalhes podem ser encontrados nesse link da programação da Semana, dúvidas podem ser encaminhadas a petdir@gmail.com ou na nossa Página no Facebook. Confirme presença no evento do facebook ou faça-nos uma surpresa – simplesmente aparecendo.

“Um brinde ao fim do mundo”*

Por Ana Paula Duque.

Fenômeno que vem ganhando destaque na Europa e, em especial, nos Estados Unidos, os preppers (também chamados de seguidores/as do prepping ou adeptos/as do sobrevivencialismo¹) ainda permanecem desconhecidos no Brasil.

De forma geral e resumida, o Prepping pode ser definido como uma cultura de preparação para o fim do mundo. Seus/suas adeptos/as, confiantes na certeza de que o fim está próximo, não aguardam uma ameaça específica ou previamente agendada: estão preparados/as para tudo, a todo tempo, prontos/as para se defender e criar estratégias de sobrevivência frente as mais variadas formas de risco à continuidade da vida. Prevendo inúmeras situações de perigo como, por exemplo, apocalipses bíblicos, injeção de massa coronal, violência urbana, enchentes e guerra nuclear, ataques de zumbis ou invasões alienígenas, seu lema é “não ser visto como uma presa”.

A origem moderna dessa subcultura de preparação para o fim do mundo pode ser remontada à época da Guerra Fria: sob a ameaça constante de uma Guerra Nuclear entre EUA e URSS, o governo norte-americano estimulava seus cidadãos e suas cidadãs a estocarem comida, montarem abrigos nucleares e a prepararem-se para a catástrofe que poderia surgir a qualquer momento, vinda de qualquer lugar.

A guerra acabou, mas a preparação continua. Mais de cinquenta anos após a 2ª Guerra Mundial e mesmo após a queda do antigo “inimigo vermelho”, a insegurança e o medo do “Outro” (qualquer que seja ele, conhecido e nominado ou não), fizeram com que não só observássemos a permanência da cultura da preparação, como a sua real expansão.

A cada novo desastre natural, queda na bolsa de valores, supostos ataques terroristas, alta inflacionária e descoberta de corrupção governamental, somam-se adeptos/as às fileiras da preparação.

Sob a égide do medo e insuflados pela cultura da insegurança, vemos milhares de pessoas equipando suas casas de modo a torna-las sustentáveis e “seguras” (dos ataques do além, da tragédia, do eterno possível ataque de quem eu não conheço e, por isso, me amedronta), despendendo seu dinheiro em estocagem de comida e seu tempo em formas de desenvolver habilidades “úteis” para o enfrentamento do fim do mundo.

Alarmados com o porvir, os preparados gastam todo o agora se aparelhando para a ameaça futura, desenvolvendo não apenas mecanismos fuga e o isolamento, como também “a desconfiança armada em relação aos ‘não preparados’, que se tornam suspeitos porque poderiam se transformar em saqueadores”².

Ao cultivar o receio crescente do “não preparado”, o Outro aparece mais uma vez como uma ameaça a ser combatida, minada: para além da ameaça catastrófica fantasma, o diferente amedronta e isola. Assim, a preparação para o fim do mundo envolve bem mais do que a mera estocagem de alimentos: solapa também os laços de amizade, de companheirismo, de amor. Diante de tanto medo, a reclusão, física e emocional, do diferente.

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman discorre em seus livros sobre a fragilidade das relações humanas, constantemente ameaçadas pelo medo do envolvimento – o medo de ser saqueado, sabotado, o medo, enfim, de se assumir susceptível ao que o relacionamento com o próximo pode nos fazer viver/sentir -. Diante de um mundo líquido, inconstante, insólito, que muda e se transforma continuamente, nada é feito para durar. Vivemos, assim, atormentados/as pela incerteza, numa fixação constante por combatê-la e saná-la. Frente esse universo repleto de ameaças, propenso a mudanças imprevisíveis, a modernidade líquida se apresenta como um culto ao individualismo e à falta de capacidade de amar e construir relações com o próximo. Em “Medo Líquido”, parafraseando Miguel de Cervantes, Bauman nos adverte “O medo tem muitos olhos e enxerga coisas no subterrâneo”.

Diante da insegurança, a reclusão. Frente ao diferente, a suspeita da ameaça. Somado a tudo isso, o constante e eterno espectro do medo da proximidade e do envolvimento.

À primeira vista, podemos até pensar no Prepping como algo absurdo e irreal, fruto da insegurança e excentricidade de alguns. No entanto, olhando mais atentamente, seja à espera da destruição da humanidade, seja à espera do ataque inimigo daquilo que me é diferente, acabamos, todos/as nós, em algum grau, nos preparando para o “fim”. No caminho em que seguimos, antes do fim do mundo, o fim da própria humanidade. Que nenhum de nós aceite e se prepare para isso. Sejamos todos/as Outros, não condicionados, não condescendentes e “não preparados” para o fim da solidariedade e para o amor líquido³.

*O título faz referência a uma das primeiras frases do episódio inicial do programa da  National Geographic Channel intitulado “ Preparados para o fim do Mundo”, que conta a história e o cotidiano de famílias preppers. Os primeiros episódios estão disponíveis em: http://www.youtube.com/watch?v=CL4whNFNZzE
¹ Um dos poucos sites brasileiros que trata sobre o assunto é o http://sobrevivencialismo.org/. Destaque para o artigo que trata sobre a hipótese de Apagão, em que o autor do blog adverte:  “Não chame atenção das pessoas na rua, elas poderão querer invadir para saquear;”
² http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1234
³ “Amor Líquido” é outro livro de Zygmunt Bauman, no qual ele analisa a fragilidade dos laços humanos, discorrendo sobre como a nossa capacidade de tratar um estranho com humanidade tem sido prejudicada, além de investigar como as relações humanas tornam-se cada vez mais “flexíveis” e fugazes, frente a incapacidade de mantermos laços a logo prazo.

Controle de Corpos, Ensino Jurídico e a Alternativa do PET Direito UnB

                             Por.
João Gabriel Pimentel Lopes e..
Rafael de Deus Garcia..

começo

O modelo de educação jurídica, amplamente difundido nas várias faculdades de direito do país, perpetua-se baseado em um dos mais eficientes sistemas de controle. A exigência pelo silêncio, pela postura corporal estática, pelas respostas fechadas nas provas, são apenas alguns mecanismos de um sistema de reprodução acrítica de verdades já sepultadas.

Esse sistema, pretensamente neutro, apesar de ideologicamente carregado, reflete uma concepção que desvaloriza a construção coletiva do saber e as experiências subjetivas como produtoras de conhecimento. Para a realização do controle das subjetividades em formação, que tem como um de seus própositos a manutenção de um determinado sistema de poder, são fundamentais a morte do corpo que já não se expressa, o silenciamento da voz que já não canta e a mecanização da mão que apenas copia. Será este o ambiente acadêmico mais propício à formação daquelas/es que serão responsáveis por refletir e solucionar os novos e cada vez mais complexos problemas enfrentados pelo direito?

Entendemos que essa verticalização da educação, expressa de maneira particularmente evidente no modelo de construção do saber jurídico, deve ser revolucionada. Acreditamos que o primeiro e principal passo para uma tal mudança de rumos dos mecanismos educativos passa por uma nova concepção do papel da/o discente nos processos de formação. Enquanto nos modelos tradicionais repete-se o quadro de desvalorização, descaso e desprestígio institucional da participação estudantil na construção do saber, uma nova configuração da educação jurídica, que se pretenda emancipatória e crítica, deve reconhecer o protagonismo discente como elemento central em uma universidade que a todo instante se reinventa.

O incentivo à pesquisa estudantil se realiza às avessas, exigindo que a/o aluna/o pesquisador/a se contente com o fato de que sua “dedicação extra” não seja reconhecida como uma contribuição para um novo saber. Antes, é cobrada/o à reprodução de uma ciência jurídica que apela à uma dogmática alheia a toda uma dinâmica social.

Para que tenha início uma horizontalização do saber acadêmico, é indispensável a consideração de estudantes enquanto sujeitos que possuem contextos, histórias, visões de mundo diversos, e por isso devem ter voz, vindo a contribuir, cada um/a de maneira irrepetível, para a construção de um saber transformador, capaz de provocar questionamentos sem limitações sobre o mundo do qual somos parte. Assim, abre-se espaço para a alteridade, para o desenvolvimento livre de subjetividades, diversificando os contextos culturais e realizando potencialidades que se perderiam no modelo anterior.

Esse afloramento de subjetividades torna-se possível se adotarmos uma concepção complexa da universidade, de acordo com a qual os elementos do tripé ensino-pesquisa-extensão estejam interconectados. Em lugar de enclausurar a vida acadêmica nos limites da sala de aula, é indispensável o enfrentamento das questões que surgem da rua, do campo, da gente, da vida.

O PET, junto ao professor Alexandre Bernardino Costa, busca fazer essa reformulação das práticas pedagógicas na universidade por meio da oferta semestral, na Universidade de Brasília, da turma de Pesquisa Jurídica, uma disciplina obrigatória do primeiro semestre da graduação em direito, na qual buscamos iniciar uma discussão sobre a função da educação universitária, a sua interação com os conhecimentos sociais diversos e seus reflexos sobre a prática do direito e a formação de juristas.

Para tanto, o curso utiliza de formas alternativas de construção do conhecimento, a qual já se inicia no momento de planejamento da disciplina, quando, tomando em consideração as impressões das/os estudantes sobre leituras e práticas em sala de aula, o grupo PET e seu tutor repensam semestralmente os conteúdos e as metodologias aplicados encontro por encontro. Além disso, para a concretização dos objetivos da disciplina, reputa-se fundamental a participação das/os estudantes nas discussões em sala de aula, assim como o seu protagonismo e a sua autonomia para buscar, fora de classe, as bases materiais que possibilitem a construção de suas visões de mundo. Nesse mesmo sentido, são utilizadas, para além das aulas expositivas, outras dinâmicas que contribuam para o desenvolvimento das competências necessárias ao desempenho das atividades acadêmicas, especialmente as de pesquisa e extensão.

Entre essas dinâmicas, além da leitura e da discussão de obras não estritamente jurídicas, inclusive literárias, contamos com as chamadas “Aulas PET”, nas quais os membros do PET propõem debates, intervenções e formulações espontâneas por parte dos estudantes. Assim, valorizamos o contato dialógico com diferentes pontos de vista e contribuímos para uma construção coletiva de um saber de caráter mais múltiplo e plural.

Mas PJ não é um projeto acabado. Temos a consciência de que educar é sempre repensar-se. E que o processo mais difícil é o de se libertar do conforto de uma cultura educacional fortemente arraigada nos mais diversos níveis. Contudo, esperamos contribuir para a mudança que buscamos.

Ideologia, Fantasia e … Crianças.

Por Pedro Godeiro

“Fui” uma criança de classe média-alta numa cidade litorânea, logo sempre fui à praia em férias e feriados. Praia de Cotovelo, Parnamirim – RN, mais especificamente. O interessante é o contraponto casa/praia: uma era a segurança, rotina, escola, dever-de-casa e televisão, a outra era liberdade, passeios de manhã e de tarde, brincadeira nas pedras, pescarias, rolar nas dunas, banhos de mar e livros. Em outras palavras: casa, realidade; praia, sonhos.

Mas não um semi-sonho, no sentido de ser paradisíaco, de não haver riscos e sim, ou melhor, exatamente por eles estarem sempre presentes: de cair, se arranhar todo, prender um dedo num anzol, pisar em algum bicho estranho, entrar areia no olho ou até mesmo se cortar num resto de ostra e levar 3 pontos no pé.

É nesse ponto que eu gostaria de insistir: a rotina é a impossibilidade do imprevisto, a tentativa de erradicação do risco e, nesse sentido, a negação da própria realidade. Os sonhos, ou a praia, são, então, nossa forma de contato com a realidade, de enfrentar alguns dos riscos e a contingência, é com eles que nós conseguimos nos abrir para o mundo, seja pelos percalços que podem acontecer nas nossas aventuras ou pelas pessoas que podemos encontrar durante nossas brincadeiras.

Assim muito me espantei quando, há algum tempo já, encontrei numa revista qualquer de arquitetura uma reportagem sobre novos modelos de quartos infantis. Quartos feitos para encarnar as aventuras que nós líamos (ou lemos) nos livros e vemos nos filmes: alguns tinham a opção de cordas para o infante se dependurar como se pirata fosse, outros imitavam uma selva, havia, também, os que imitavam masmorras ou antigos castelos, com passagens secretas e armários com tampo falso. Mas todos, sem exceção, tinham uma coisa em comum: eram perfeitamente seguros, com redes de proteção e todas as coisas possíveis para evitar que o infante se machuque, caia ou mesmo corra o risco de que alguma dessas coisas aconteça.

Esse tipo de quarto é a morte da experiência. Ou, pior, do próprio sonhar: não há riscos, logo não existe uma possibilidade real de abertura daquela criança para o mundo. O que torna a brincadeira de explorar determinado ambiente fascinante em um local estranho é a remota possibilidade de que algo ali realmente corresponda ao que nós pensamos, ou seja, que aconteça algo de inesperado ou de inusitado, que achemos sim um tesouro antigo ou uma casa mal’assombrada, bem como também o risco inerente a atividade: possível também se perder, ou pisar numa cobra ou ser atacado por marimbondos ou mesmo ser queimado por uma caravela (a famosa água-viva).

Essa perda da radicalidade do risco, do impossível que pode atacar a qualquer instante, é muito bem descrita por Adorno, na obra em que ele analisa Kierkegaard. Existe um trecho (Págs. 100-107, da edição de 2006 da UNESP) em que o pensador alemão se debruça numa descrição que Johannes (um dos muitos heterônimos/pseudônimos kierkegaardianos) relembra sua infância: preso dentro de casa, por um pai que não o deixava sair de casa. Seu único consolo era um tipo bastante peculiar de jogo: às vezes seu pai propunha um passeio dentro de casa (como compensação), onde o jovem Johannes escolhia as paisagens e seu pai as descrevia, logo cada cômodo virava um novo mundo: a entrada, uma praia; a sala, um castelo; o corredor, uma rua muito movimentada.

Adorno bem explica que esse processo é o reflexo de uma maneira muito peculiar de ver o mundo: uma alteridade que não acontece, uma abertura que é, na verdade, fechamento, pois só se abre para o interior, determinando a realidade pelo subjetivo, impedindo que o sujeito consiga se relacionar com o social, alienando-o.

Esse é o problema do quarto: ele aliena a criança. Ao transformar a possibilidade de uma aventura numa rotina, destruindo toda a radicalidade da imaginação a criança perde também a capacidade não só de fantasiar sobre a realidade, mas de perceber essa realidade: passa e só consegue enxergar um mero reflexo retorcido dessa própria realidade e desconsidera todo o resto.

Me pergunto se alguma dessas crianças, criadas nesses quartos, poderiam escrever esse tipo de texto aqui, ou se elas apenas conseguem passar no vestibular.