Carta a Brasília

Por Havi Borges

Três de Abril de 2013. Meu desembarque definitivo no aeroporto de Brasília. Sozinho, meus neurônios me levavam da felicidade à euforia de encarar a vida nesse ícone mundial da arquitetura e urbanismo. E haja beleza! As linhas do Plano Piloto até hoje me seduzem e eu quase nunca resisto a dar uma volta no deck norte ou a assistir ao pôr do sol de qualquer lugar dessa amplidão de céu azul e terra vermelha.

Existir em Brasília, aos olhos ingênuos de um adolescente, parecia mesmo uma linda proposta de vida comunitária. A beleza das suaves linhas de seus palácios e monumentos, aos sentidos de quem a sente, jamais transpareceriam sua violenta e excludente história. Infelizmente, esse lado cruel de Brasília é o planopilotense quem se dedica a bradar: são os moradores das asas (e águas) dessa embarcação que regurgitam racismo, classismo, machismo e ódio por suas polidamente asfaltadas vias.  A cor e a civilidade – vejam só, quanta ironia – vêm do entorno – e dos ipês em tempos primaveris – para dar a beleza que Brasília suplica a essa tão burocracinza Esplanada dos Ministérios.

De norte a sul, é o entorno que ocupa o Museu com a música e a dança que acendem a cidade. É o entorno que grafita pela vastidão de concreto e dá cor à cidade. É o entorno que varre a sujeira da leitosa burguesia e dá civilidade à cidade. De sul a norte, o que se vê é um Plano Piloto ingrato, que torce o nariz aos que lhe dão vida. Que nega transporte público aos que diariamente se esforçam por esse avião. Que olha torto pra crespa que ousa desfilar no Iguatemi. Que dá baculejo na cor dos que vem de longe ganhar a vida no Conic. Que promove feminicídio ao longo de toda a W3. Que queima índio em parada de ônibus. Que dizima aldeia no Noroeste.

Teus traços não negam tua sensibilidade! Mas por que, Brasília? Por que te negas aos filhos e netos dos que, a duras penas, te cravaram no coração do Brasil? Não percebes o desatino dos teus contrastes? Como te calas perante a branquitude do Lago Sul e te exasperas perante os que morrem nas batidas policiais da Ceilândia? Acorda, Brasília! É sempre tempo! Acolhe teus filhos, ampara os que já tanto sofreram por tuas curvas. Relembra teu povo, refaz as memórias dos que tu abandonastes, repara os danos que tua governança corrompida causou aos que não podem com teus esquemas de suborno e lavagem de dinheiro.

Nesse teu aniversário, eu te desejo coragem pra enfrentar teu racismo institucional, tua heteronormatividade assassina, teu preconceito de classe e tua misoginia hedionda sem perder a ternura. Meu coração soteropolitano sofre, mas me diz para não desistir de ti, e por isso sigo, fazendo de mim mesmo uma tesourinha a cortar o monopólio branco dos espaços de poder desse bucólico aviãozinho.

HAVI

Extensão por que?

Por Pedro Porto

             Formar em direito numa das melhores universidades do país. Assistir às aulas com professores que são os grandes juristas, ministros e advogados; aprender sobre as doutrinas, leis e jurisprudências. Por fim, escrever. Pensar apenas em produzir artigos e ter o tão sonhado lattes de 15 páginas. Esse é o projeto da maioria das* estudantes de direito, quando entram na Faculdade. Uma perspectiva de formação acadêmica, ao meu ver, limitada, autocentrada e academicista. Nela não se considera a importância de viver a Universidade, de entender que não há como se pensar em fazer um curso sem que se saia dele, dos seus limites e, mais ainda, do próprio ambiente acadêmico. É preciso romper as cordas que nos prendem nesse espaço, é preciso viver as inúmeras experiências que nos são oferecidas, é preciso se ver como agente de transformação social.

            É necessário que nos perguntemos que tipo de Universidade queremos, que tipo de educação, além de se pensar que tipo de profissional pretendemos formar. Primeiro, entendo que a Universidade não deva ser um espaço de manutenção, um local de corroboração de status quo, onde sempre se produz mais do mesmo. O ambiente universitário deve ser marcado pela reflexão, pela criticidade, pela atenção às demandas sociais, pela transformação. Darcy Ribeiro, no seu texto “Universidade pra quê?”, faz a seguinte citação: “Toda ideia é provisória, toda ideia tem que ser posta em causa, questionada. Tudo é discutível, sobretudo numa univer­sidade”. Mas, pergunto-me, como esperar mudança, como ser uma agente de transformação permanecendo restrito ao espaço físico da sala de aula? Não é possível. Estudantes, não se limitem no que foi exposto pelo seu tão exímio professor doutor, não se limitem aos seus livros e mais livros de direito, não deixem que a sala de aula atrapalhe sua Universidade, pois esse é o maior erro que se pode cometer. Aqui, irei destacar o que vejo como mais importante e necessário na experiência universitária: a Extensão.

            Tomo como pressuposto a Extensão Popular, Freiriana, pautada pela comunicação dialógica, horizontalidade e interdisciplinaridade; promotora de uma troca de saberes mútua. Mas por que tão importante? Somente por meio dela é possível promover o contato e diálogo entre a sociedade e Universidade. Pois, somente assim, podemos ressignificar esse espaço, mostrando a importância do conhecimento popular e tornando o ambiente efetivamente democrático e plural. Somente assim, podemos repensar o que realmente é conhecimento acadêmico. Somente assim, podemos pensar como academia se estrutura, quem fala por ela e como é importante modificar isso. Somente assim, o ambiente universitário pode se tornar transformador e emancipador, capaz de criar estudantes em processo de emancipação, para que se tornem agentes de sua própria história e de mudança. Somente assim, vamos questionar a educação vertical vista em sala de aula. Por fim, somente assim, a Universidade pode cumprir seu papel.

            Não se pode mais aceitar um curso de Direito marcado pela cultura bacharelesca, marcado pelo apego às formas e discursos rebuscados. Um direito que se exime de debater toda complexidade e dificuldades da realidade. Afinal, o curso não deve perpetuar e manter exclusões e opressões, deve lutar contra elas. A extensão ocupa e traz novos polos de conhecimento, abala as estruturas do formalismo. Ela abre a academia e mostra como o curso deve ser atento a lutas sociais e a protagonismos antes invibilizados, dela derivam novas interpretações e problemáticas.

            Dessa maneira, amigas estudantes, não sejam fechados, não sejam a profissional desatenta à sociedade e suas demandas, não se limitem à sala de aula, não sejam apolíticas/os ou acríticas/os, não esqueçam da função da Universidade. Ressignifique esse espaço, torne-o democrático, emancipador, transformador. Não há como se aproveitar e fazer Universidade sem se sair dela. Devemos todos aproveitar as experiências a nós oferecidas. Devemos todos conhecer e defender a Extensão.

imagem pro texto

*Nesse texto, irá se utilizar o feminino como universal da linguagem.

Sobre comoção e mobilização seletivas.

Por Heloisa Adegas

Rio de Janeiro. Ryan Gabriel. 4 anos. Baleado e morto na porta da casa de seus avós.

O Estado Democrático de Direito não existiu para Ryan Gabriel, menino negro e pobre que, ao brincar tranquilamente em na rua em frente à casa de seus avós (Madureira – RJ) foi morto por uma “bala perdida”. Também não existiu para seu avô, que tudo o que pôde fazer foi puxar o corpo sem alma de seu netinho para dentro de casa. Tampouco existiu para Thaiane da Silva, 20 anos, negra e manicure, que teve de enterrar o corpo de seu filhinho que fora assassinado.

Atualmente, vivemos uma crise política no país. Pedido de impeachment sem fundamentação jurídica, publicitação ilegal de áudios envolvendo a presidenta da República, fortalecimento de um discurso de direita ultra-conservador, pessoas indo às ruas reivindicar a volta da ditadura militar, o fim do comunismo e outros absurdos mais. Também não se tem sido respeitado o devido processo legal, realmente. Mas este nunca foi respeitado em nosso país.

Vivemos em um país onde, no último ano, houve 63.090 denúncias de violência doméstica, o que representa aproximadamente 20% da população feminina do país. Onde  estima-se que 1 em cada 3 mulheres já sofreram violência sexual (ou ainda vão sofrer) ao longo de sua vida. Onde, dos 33.000 jovens vítima de homicídio por ano, 77% são negros. Onde menos de 20% têm ensino superior. Onde 7% do Congresso Nacional é composto por mulheres e menos de 1% de pessoas negras. E apenas agora alguns estão saindo às ruas para dizer que nossa democracia está em risco? Democracia de quem? Para quem?

O que trago nesse texto não é uma mera crítica àqueles e àquelas que são contra as atrocidades jurídicas e políticas que vêm tomando conta do país e por isso têm se mobilizado.  Pelo contrário, acredito que devemos sim defender a estabilidade do Estado Democrático de Direito que conquistamos. O que me incomoda, no entanto, é a comoção e mobilização seletiva, vinda de pessoas que assistem quase que silenciosamente às falhas estruturais da nossa capenga democracia. Essa comodidade vinda de muitas pessoas que hoje bradam indignadas contra o golpe que está por vir inviabiliza e naturaliza as violências sofridas pela maioria de nossa população (pois apesar de minorias em direitos, é maioria em quantidade). Continuamos com nossas bundas no sofá enquanto centenas de mulheres morrem por abortos clandestinos (e tem seus corpos sendo controlados por um Congresso masculino, branco e rico); enquanto lésbicas e gays são expulsas/os de casa, são alvo de violência verbal na escola e no trabalho, apanham na rua apenas por ser quem são. Enquanto existem mais transexuais nas ruas que nas universidades, e, quando conseguem entrar na universidade, precisam lutar constantemente (processo extremamente desgastante e degradante) pelo reconhecimento do nome social, sendo que podem acabar até reprovando matérias devido ao não reconhecimento deste direito (é, isso acontece na UnB, sabia?). Enquanto mulheres negras ganham menos de 40% que um homem branco. Enquanto não há saneamento básico, nem saúde, nem educação de qualidade para grande parte da população negra e pobre do país. Em relação a tudo isso não há tamanha mobilização da “esquerda privilegiada”.

Esquerda privilegiada. Chamo assim pessoas como eu. Como nós. Classe média, maioria universitária ou possuidora de ensino superior (talvez até um mestrado, doutorado, PhD…), em sua maioria brancas/os e cis. Somos muito preocupados com os problemas sociais do país. Mesmo. Para falar a verdade sabemos de tudo o que disse até agora, inclusive usamos isso – quando nos é conveniente – para criticar o posicionamento de alguém, para tensionar em uma reunião, ou para transformar a mentalidade conservadora de uns alunos. Mas não nos incomodamos o suficiente para nos mobilizar cotidianamente. Não nos comovemos o suficiente para não conseguirmos deitar a cabeça no travesseiro à noite e dormir tranquilamente, porque muito disso não nos afeta diretamente. Não somos nós que estamos morrendo, de todas as formas possíveis, inclusive literalmente.

Lutar pelo Estado Democrático de Direito é válido e necessário. Porém, além de reconhecermos seus limites e falhas é necessário se indignar e se mobilizar pelas exclusões e violências que  impedem sua existência de fato. Às vezes parece tão “difícil se posicionar sobre temas polêmicos”, mas tão fácil escrever cartas públicas sobre a atual conjuntura do país! Vamos escrever cartas abertas contra as violências cotidianas sofridas por mulheres, negras e negros, indígenas, crianças, pessoas LGBTs, pessoas com deficiência. Vamos tomar as ruas em defesa da democracia, onde essas pessoas também façam parte e tenham voz! Vamos fazer eventos na faculdade para discutir a responsabilidade de nós, juristas, na transformação da vida dessas pessoas. Vamos, urgentemente, enxergar essas pessoas como humanas, pois a desumanização que invisibiliza tanta dor e sofrimento, esta sim, fere cotidianamente o Estado Democrático de Direito.

Nenhuma violência deve ser naturalizada. É preciso sim se mobilizar quando o Estado  faz manobras que rasgam nossa Constituição, mas isso também ocorre quando esse mesmo Estado se omite em garantir a certos grupos direitos constitucionais. Como diria Foucault, o Estado tem o poder de fazer viver e de deixar morrer. No Brasil, sabemos muito bem quem têm sido escolhido para ser deixado à morte.

Nossa comoção não pode ser seletiva. Enquanto certas vidas continuarem valendo mais que outras, não haverá democracia.

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A(b)cesso ao ser

por Abel de Santana

De estar inquieto mediante seletiva austeridade chegava a esquivar-me, a busca do espairecer, a omissão do espírito incomoda.
Se parece sem sentido talvez seja mesmo. Rolei na cama. Derrubei o abajur.

Dormiu bem, querido?
Como uma pedra.

Eu sou uma pedra. Quiséramos nós. O que fadigou-nos depois de nada? Tortuosos devaneios.
Por mais que eu tente balbuciar mais que um diálogo bivocabular, falo como ninguém e sinto-me como três.
E sobre existir todo dia e passar despercebido? E o esforço que se emprega pra subsistir? Eles não entendem.

Não sabem.
Não sentem.

Ficar sozinho em meio à multidão como quem não quer, não faz, não escolhe dada indiferença ou inquietação sem inquietar sua alma toda lhe tolhe. Se bem que esperar também nos fadiga, digo, não fazer não é não querer se pra poder esta a arte ou cantiga obsta seja maior que ser ou não ser. Se nos permite feito por vocês, dizes calma: “segure minha mão…” Não se imagine sendo cortês. Lembro-me dos dias de Napoleão! Não me percebe, mas volto a ser três. Liberté, Egalité… Pare! Não.

Estar invisível. Ser invisível. Qual a diferença? Rearranjou?

Ser invisível: ser decassílabo, ser quarteto, ser terceto: Ser lido em prosa. E ainda se encara ruim porque rima. A qualidade baixa. Pouco parnasiano.
A vida não é parnasiana, cara pálida.
E quanto a este que se pretende cheio? Parece que cresce. Duvido que evolua.

Se ainda assim não pareceu claro, o dito foi:

Ficar sozinho em meio a multidão
Como quem não quer, não faz, não escolhe
Dada indiferença ou inquietação
Sem inquietar sua alma toda lhe tolhe 

Se bem que esperar também nos fadiga
Digo não fazer não é não querer
Se de poder nesta a arte ou cantiga
Obsta seja maior que ser ou não ser 

Se nos permite feito por vocês
Dizes calma, segure minha mão
Não se imagine sendo cortês

Lembro-me dos dias de Napoleão
Não me percebe, mas volto a ser três
Liberté, Egalité… pare! Não.

Quero ver perceber quem existe!
Quero ver existir e não ser.
Quero ver.

Nós também.
Nós não vemos.
Não o quê?

Parece que não sabe escrever direito. Surpreso?
Estaria surpreso se você lesse além das entrelinhas. Mais do que o que aparenta. Por que o que nos aparenta diz mais sobre quem somos.
Sem o menor decoro. E a dignidade? Cadê? Saiba-se ver é diferente de enxergar. Quem há quem veja mais não enxergue. O oposto também é verdade. Você pode me ouvir?

Escute, meu filho. Seja a linguagem una pra quem lhe possa ser. Mas que sejam todas as linguagens, para que todos sejam.

Ontem eu ouvi uma história de vó. Os tempos se transformam.

Existe Amor no Estatuto da Família?

família-1-691x360Por Vitor Lages

       Por ser gay e não me encontrar na heteronormatividade, as naturalizações e estereótipos sociais sempre me incomodaram. Ouvir como resposta um “porque é assim que é”, ou “assim que tem que ser” sempre me irritou. Desde pequeno já desconfiava que eu era diferente ali no mundo e que pra ser feliz teria que questionar a normatividade hétero que me era imposta, sendo este o único caminho para ser livre e condizente comigo mesmo. Sentia isso desde pequeno, apesar de, em dezoito anos que vivi em Teresina, nunca ter conhecido famílias homoafetivas.

       Saí do Piauí para morar em Brasília, e aqui na UnB enxerguei pela primeira vez possibilidades de viver minha homossexualidade fora do armário, vi pessoas como eu, e isso foi fundamental. Na UnB, lugar onde já estou há 5 anos, conheci pessoas, participei de grupos políticos e tive contato com discussões que transformaram minha vida. Ao lado de tanta gente boa fui percebendo as poderosas e danosas mãos “invisíveis” não só do mercado, mas também do racismo, da heterocisnormatividade, do machismo, do capacitismo, da gordofobia e como essas opressões e tantas outras estruturam a sociedade, delimitam espaços, hegemonizam discursos, ditam modos de contar as Histórias, violentam e subalternizam corpos desviantes da norma.

       Nesse descortinar da realidade, vi em mim mesmo e em minhas atitudes, a reprodução de todas essas opressões nas minhas relações pessoais, seja violentando a mim mesmo ou às pessoas ao meu redor. Esse processo perturbava, ou desconstruía, até mesmo a percepção que tinha sobre mim.  Enxerguei a enorme carga de privilégios descabidos que tenho apenas por ser um homem cis e ter a pele branca, por ser rico e ter estudado em escolas particulares durante toda a vida, e por isso estar hoje numa Universidade Pública (tem gente que ao invés de privilégio, chama isso tudo de mérito, o que dizer?!).

       Com o aprofundar desse processo, o armário, que me protegia e me escondia durante tantos anos, foi se tornando cada vez mais sufocante. Até que decidi romper com a violência que eu também alimentava. Insurgir-me contra a heteronormatividade foi também encarar sentimentos e me permitir viver experiências que reprimia desde a infância, época em que somos iniciados na real doutrinação de Gênero e de Sexualidade – com os papeis preestabelecidos e as caixinhas sufocantes sendo demarcados a todo instante pela sociedade patriarcal. Desde menino, ouço falar que amar outro homem ou fazer sexo com ele é indevido, proibido, é pecado, nojento, despudorado. Até mesmo o carinho entre dois homens é condenado, mal visto, seja entre irmãos, amigos ou entre pais e filhos.

       Eu hoje digo que é lindo, é libertador, é emocionante ser gay e poder dizer isso pra todo mundo, escrever um texto sobre isso e publicá-lo. Mas infelizmente o faço enquanto um assassinato por homolesbitransfobia é cometido a cada 27 horas no Brasil*. A liberdade que tenho aqui e agora não condizem com a realidade da maioria da população LGBT, é importante pontuar.

       E com a aprovação do Estatuto da Família em comissão especial da Câmara dos Deputados, na semana passada, é extremamente necessário reiterar que família é amor. O Estatuto reconhece como família apenas a Família Tradicional Patriarcal, que deveria ser desmistificada enquanto instituição de amor, carinho e respeito. Já que está mais pra instituição de dominação e violência mesmo. Falo da regra geral do jogo, e claro, existem exceções e níveis. Mas quando nos defrontamos com estatísticas de estupro, por exemplo, verificamos que é no contexto familiar, dentro de casa, que a mulher é mais violentada sexualmente. É no seio da família onde a mulher mais apanha de um homem: seu marido. É a Família Tradicional que rejeita, espanca e põe na rua seus filhos trans, gays, e bissexuais e suas filhas trans, lésbicas e bissexuais. Essa é a Família Tradicional brasileira.

       Por isso não tenho dúvidas que minha família com outro homem será sim uma família de verdade, com amor e afeto, e deve ter direitos igualitários reconhecidos, assim como todas as famílias. Não deixaremos passar esse Estatuto da Homofobia e do Retrocesso! #NossaFamíliaExiste

*Segundo o Relatório do Grupo Gay da Bahia para o ano de 2014.