The “BR Problem”: sobre brasileiros e macacos

Por Gabriela Tavares

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Aqueles que têm familiaridade com jogos on-line devem entender o título sem grandes dificuldades. Aos que não, uma breve explicação. Não é de hoje que os massively multiplayer online games – carinhosamente chamados de MMOs – se popularizaram. Basicamente, se trata de um tipo de jogo no qual você se conecta em um mundo via internet e interage com os outros jogadores conectados.

Convenhamos que a proposta é interessantíssima. Você pode se conectar com pessoas de diversos países para se divertir e, por fim, acabar criando amizades, conhecendo novas culturas ou, até mesmo, treinando outras línguas.  Alguns se dedicam tanto a essa atividade que reservam horários theguildsemanais para eventos dentro do jogo! Isso demonstra que MMOs têm grande potencial comunicativo. Por um lado, representam um mero hobbie, por outro, compõe um círculo social na vida das pessoas e, com isso, se tornam formadores de opinião de certa maneira.

Entretanto, nem tudo é um mundo perfeito. Como em todo ambiente virtual sem controle rígido, há diversas situações constrangedoras e danosas no que tange a interação interpessoal – desde xingamentos até pedofilia. Pretendo abordar aqui um problema específico do mundo dos MMOs que pode mostrar bastante de como nós, brasileiros, vemos nós mesmos fora do mundo virtual.

“The Brazilian Problem” (o problema dos brasileiros) é uma discussão recorrente nos servidores. De acordo com a gringolândia os brasileiros estragam os jogos! BRs – como nos chamam – são inconvenientes, não falam inglês, só sabem xingar e usam de trapaças para obter vantagens, ou seja, não é possível jogar com brasileiros. Brasileiros são como pragas, tudo que eles encostam estraga: Orkut, Fotolog, Facebook, Counter Strike, DotA… Tudo! Inclusive, alguns jogos chegaram a proibir o cadastro de IPs brasileiros a fim de manter o alto nível do jogo. Não pretendo discutir se os brasileiros são o satanás, o ponto que eu quero chegar é: como os brasileiros veem os BRs.

Recentemente eu acompanhei a transição do jogo League of Legends para o Brasil, com a abertura de um servidor específico para nós. Havia a opção de transferência de conta, tudo seria traduzido e redublado. Coisa fina de jogo da moda que ganha rios de dinheiro.

Muitos jogadores brasileiros, contudo, não queriam trocar de servidor e não efetuaram a transferência imediatamente. A justificativa: – No BR2servidor brasileiro só tem BR! – Ora, mas e daí? Você não é brasileiro? – Eu?! Eu sou a exceção! Eu não xingo, eu jogo sério. Eu não uso cheat. Eu não isso. Eu não aquilo… Eu não sou BR.

Fico impressionada com a ingenuidade de quem se utiliza desse tipo de argumento. Provavelmente, todos os jogadores brasileiros estavam falando a mesma coisa naquele momento – todos se achavam a exceção. Afinal, quem é esse brasileiro que configura o brazilian problem?

Também é comum que quando um BR se mostra mal jogador em servidores estrangeiros ele seja chamado de “macaco”. Macaco vê, macaco faz, certo? Pois bem, nos próprios servidores brasileiros se repete o “xingamento”. Outro dia presenciei o cúmulo do absurdo: um jogador com intuito de ofender o outro disse “você deve ser um preto fedido, sua mãe é uma nega!” e o outro jogador responde “eu não sou negro, graças a deus!”

Enfim, precisaria escrever uma enciclopédia de absurdos para abranger tudo, mas a pergunta aqui remanesce: será que nunca nos livraremos da síndrome do país colonizado? Nunca vai passar a inveja dos países desenvolvidos? Ora, nós pagamos o jogo como qualquer outro jogador, não somos diferentes em nada. Se até quando enriquecemos os outros temos de nos portar como seres inferiores, não haverá situação em que seremos iguais.

O verdadeiro problema brasileiro é estar sempre preso aos padrões impostos. É não valorizar sua própria cultura. É afirmar que seu compatriota é essencialmente um ser desprezível com o qual não se identifica de maneira alguma. É utilizar-se das mesmas ferramentas opressivas e racistas que utilizaram contra ele mesmo para subjugar alguém. Em termos simples de lógica aristotélica:

Todo brasileiro é macaco.

Ora, eu sou brasileiro.

__________________________

Logo, eu sou macaco.

Se você parar para pensar, vai encontrar várias outras situações em que a mesma lógica se aplica. Para um brasileiro é comum afirmar: brasileiro é um povo burro, alienado, assiste BBB, vota em bandido, não se revolta, ouve música ruim, é sem cultura, não sabe usar a internet etc. Se brasileiro é tudo isso, você também é.

Até quando seremos macacos?

homem macaco

Como alguém consegue achar uma preta bonita? – A estética da exclusão.

Por Gabriela Tavares

Comemoramos no dia 20 de novembro o Dia Nacional da Consciência Negra, sendo “comemorar” um verbo apenas usual, uma vez que não há muito que se festejar. Alguns não compreendem ou discordam da existência dessa data, como Morgan Freeman; por razões aceitáveis – principalmente, por concentrar a visibilidade da luta contra o racismo em uma determinada época do ano e esquecer-se no resto da vida cotidina. Não deveria, de fato, ser necessário determinar um mês para a Consciência Negra, o ideal seria que a história e a cultura afrodescendente estivessem presentes sempre em nossas vidas – uma vez que a história da humanidade é, também, a história de todas as etnias sem o demasiado eurocentrismo que observamos. Prefiro dedicar, portanto, essa época para refletir sobre a inclusão/exclusão dos negros e das negras no Brasil e o que podemos fazer durante o próximo ano para efetivar a igualdade. Esse post será dedicado às “negas do cabelo ruim”.

A estética remanesce um grande mistério: não sabemos porque ou o que nos leva a achar algo belo ou repugnante. Não sabemos em que medida temos escolhas, parece que o “gosto” vem como algo natural, algo que teríamos de qualquer forma, independente do que vivemos. Não conseguimos saltar, não somos capazes de comer a barata e lamber seu líquido sem nos sentirmos enojados. Por outro lado, não estranhamos os esqueletos nas passarelas, nem os ogros na academia. Torcemos o nariz para os asiáticos: são todos iguais – somos incapazes de perceber o que há de pessoal no traço deles. O que é belo? O que é feio? Não sabemos explicar, mas sabemos apontar. Conseguimos chamar a Gisele Bündchen de bonita e Vera Verão de feia. Conseguimos até mesmo conceber que algumas pessoas discordarão do nosso senso estético – mas eles estão enganados, o gosto deles é peculiar.

Em 2011, as candidatas negras ao concurso de Miss Universo foram alvo da seguinte pergunta: como alguém consegue achar uma preta bonita? Eu me faço e te faço essa maldita pergunta. Como, em uma sociedade impregnada de racismo, podemos achar uma “preta” bonita? Se você cresce chamando o cabelo dela de ruim, seu rosto de rosto de macaco ou que é “pelo corpo que se reconhece a verdadeira negra”, como diria a Devassa. Se você pesquisa “mulher preta” no Google Imagens, vai receber a sugestão de pesquisa relacionada “mulher preta feia”. Não podemos achar uma preta bonita, não temos essa liberdade. Se o fizermos, estamos tentando ser “moderninhos” ou “esquerdistas”. A negra bonita é, no máximo, aquela da novela que está no vale a pena ver de novo. Lembro-me da repercussão de uma negra protagonizar uma novela, mas vamos lá: a Taís Araújo é uma negra bem “aceitável”, tem traços finos, é magra, cabelo “ruim”, mas cuidado e, além disso, é “mais clarinha” – ora, ela é Da Cor do Pecado. Nem quando nos é permitido achar uma negra bonita, achamos, mas a comparamos com o standard branco e estipulamos seu grau de aceitabilidade.

Muitos dirão que estou exagerando, que acham negras bonitas tanto quanto brancas ou que é uma questão de gosto e não tem nada a ver com racismo, nunca aceitarão que é algo sistêmico. A prof. Gabriela Delgado da Faculdade de Direito da UnB fez um paralelo em sala de aula sobre como a mudança para o modelo Toyotista de produção nas relações trabalhistas reflete uma mudança em toda a esfera social. Nesse sentido, assim como empresa se torna “enxuta” o padrão estético acompanha. Podemos fazer o mesmo paralelo para a questão da etnia. A história, a economia, a educação, a saúde, o direito; todos os nossos sistemas sociais operam privilegiando a população branca. A estética não é diferente: não, não é uma questão de opinião.

Da próxima vez que olhar pessoas na rua (cuidado com o assédio!) perceba sua preferencia, conheça seu gosto e pondere: por quê? O que foi condicionado em mim para que eu pense dessa forma? Se vir uma pessoa branca, pergunte-se qual a impressão que tem dela, mesmo sem conhecê-la – se parece inofensiva, safada, criminosa, inteligente, trabalhadora. Faça o mesmo com pessoas de outras etnias. Pondere se há um padrão entre a etnia e suas conclusões, se esse padrão é positivo ou negativo. Encontre seus preconceitos, questione seus preconceitos, questione os preconceitos dos outros.

Permita-se achar uma mulher preta bonita.

Enfrente seu racismo.

Tudo que você precisa saber sobre o PET Direito!

A seleção do PET está chegando, estamos nos últimos dias de inscrições! Você já se inscreveu? Está pensando em se inscrever? Provavelmente devem surgir muitas dúvidas que o edital (ou a mera observação das misteriosas figuras de camisa rosa na sala de vidro) às vezes trazem mais dúvidas do que respostas. Como vai ser essa seleção? Vai ter teste de aptidão física? Precisa de psicotécnico para provar que só entra gente doida? E depois? Vão arrancar o meu couro? Vou perder todos os meus amigos e virar um zumbi que só dorme 2 horas por dia e sobrevive de subway, café e suquinho do RU?

A princípio, a resposta para todas as perguntas é não, mas algumas petianas e petianos resolveram responder algumas das dúvidas mais comuns que já foram levantadas (até por nós mesmos, quando fomos fazer a famigerada seleção), ou que imaginamos ser relevantes:

1) Como é a prova?

A prova escrita é uma etapa que tem na argumentação todo seu critério de excelência. Não existem respostas corretas e muito menos respostas erradas, o que existe é a ânsia por uma defesa de ideias organizadas que valorizem os Direitos Humanos, sob seus diversos aspectos. Não cobraremos o pedantismos de muitos autores citados, tampouco os milhões de artigos existentes no ordenamento jurídico brasileiro. Trata-se, então, de uma avaliação discursiva, pautada na manifestação de opinião fundamentada, cuja obrigação é se mostrar livre para pensar com criticidade o Direito e as suas implicações nas relações de poder na sociedade.

2) Como é/para que serve a entrevista?

A entrevista é o momento de conhecermos melhor o candidato, saber seus interesses, suas atividades. Isso é importante para sabermos se o candidato está alinhado com a proposta do PET-Dir, ou seja, de integrar ensino, pesquisa e extensão se dedicando 20h por semana para isso, com comprometimento. Também é o momento de esclarecer alguns pontos sobre a prova escrita.

3) Como vai ser a visita à Estrutural? Ela vai ser avaliada? Por que estamos indo para lá?

Talvez as atividades pela quais o PET tem mais carinho e garra para construir sejam suas Oficinas de Extensão na Estrutural. Não somente por elas serem divertidas e interessantíssimas, mas por elas conseguirem gerar reflexão em todas as vários outros momentos, seja nas leituras e discussões semanais no grupo de estudos até a sala de aula de Pesquisa Jurídica. Assim, sendo o sopro que mantém vivas todas as atividades do PET, a Estrutural não poderia ficar de fora na Seleção. Logo, os propósitos de levarmos até a Estrutural as pessoas que pretendem ingressar no PET é (i)já mostrarmos que a Extensão tem um valor especial no PET, (ii)escancarar a ideia de que ser petiana/o é também ser extensionista e (iii)possibilitarmos um contato inicial das/os pessoas ingressas com a cidade e a comunidade da Estrutural. A visita não é classificatória, não conta pontos ao final, mas é eliminatória, por isso é preciso justificar a ausência, caso o horário da visita seja excepcionalmente inviável.

4) Quanto tempo preciso me dedicar ao PET?

Ao entrar no PET, nós assinamos um termo de compromisso afirmando uma dedicação semanal de 20 horas. Temos reunião durante toda a tarde de quinta-feira, oficinas de extensão aos sábados (manhã ou tarde, a depender da preferência e disponibilidade da/o petiana/o) e suas reuniões de planejamento durante a semana, as leituras semanais e algumas outras atividades e eventos que são esporádicos e sobrecarregam uma semana ou outra. Parece demais, mas muitas pessoas conseguem, inclusive, conciliar com as horas de estágio. Uma boa organização pessoal permite até uns SS’s.

5) Quanto tempo eu preciso ficar lá?

Para ganhar o certificado do MEC de participação completa no PET é necessário um tempo mínimo de participação de 2 (dois) anos. O tempo máximo em que uma pessoa pode ficar são 3 (três) anos. Qualquer pessoa pode sair no momento que quiser, deixando sua vinculação oficial. Qualquer pessoa pode, porém, integrar todas as atividades do PET mesmo sem nenhum vínculo institucional – são nossas queridas pessoas agregadas, que são sempre muito bem-vindas, pelo tempo que quiserem.

6) Quantas vagas há para essa seleção? Se não for aprovado agora, há chances de eu ser chamado depois?

Nesse edital, foram disponibilizadas 5 vagas – 1 de bolsistas, e 4 de não bolsistas. Porém, como vários das petianas e petianos antigos completam, no final do ano, seus 2 anos de PET, mais vagas serão abertas no começo de 2013. Assim, há a possibilidade de, mesmo sem a aprovação oficial ao final da seleção, algumas pessoas sejam chamadas para começar sua participação oficial depois de fevereiro.

Mais alguma dúvida, questionamento ou angústia? Escreva na caixa de comentários, mande uma mensagem por Facebook ou pergunte para uma das pessoas de rosa na faculdade – faremos o melhor o possível para que possamos ter a melhor seleção o possível!

Seleção PET – Edital nº 1/2012

O PET/Direito UnB torna pública sua chamada para novos/as integrantes. Durante os meses de novembro e dezembro de 2012 será realizada a seleção de alunas/os para compor o grupo. As inscrições vão de 06 de novembro de 2012 a partir de 09h00 a 16 de novembro de 2012 até 21h00 na Secretaria da Faculdade de Direito da UnB. Serão ofertadas 1 vaga para bolsista e 4 vagas para não bolsistas.

No ato da inscrição, o(a) estudante deverá apresentar:
– Ficha de inscrição e questionário devidamente preenchidos; (Ficha de Inscrição disponível aqui e Questionário de Inscrição disponível aqui. Ambos também serão disponbilizados na xérox da FA – Pasta do PET)
– Histórico escolar emitido pela coordenação de graduação do curso contendo índice de rendimento acadêmico;
– Cópia do documento de identidade e CPF.

Segue o Edital nº 1/2012 completo:

Universidade de Brasília
Decanato de Ensino de Graduação – DEG
Diretoria de Acompanhamento e Integração Acadêmica – DAIA
Coordenadoria de Monitoria, Intercâmbio e PET – CMIP

EDITAL DE SELEÇÃO DE ALUNOS PET

EDITAL Nº. 1/2012 

O Departamento de Direito da Universidade de Brasília torna público o processo de seleção para alunos do Programa de Educação Tutorial (PET), da Secretaria de Ensino Superior (SESu/MEC) e do Grupo PET Direito da UnB. Os interessados deverão atender aos requisitos e obedecer ao cronograma de atividades especificado neste edital.

1. INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O PROGRAMA

O PET é um programa acadêmico direcionado a alunos(as) regularmente matriculados(as) em cursos de graduação, que se organizam em grupos, recebendo orientação acadêmica de professores(as)-tutores(as), que tem como objetivos:

  • efetivação do tripé da educação superior extensão, pesquisa e ensino;
  • o envolvimento dos(as) estudantes que dele participam em um processo de formação integral, propiciando-lhes uma compreensão abrangente e aprofundada de sua área de estudos;
  • a melhoria do ensino de graduação;
  • a formação acadêmica ampla do(a) aluno(a);
  • a interdisciplinaridade;
  • a atuação coletiva;
  • o planejamento e a execução, em grupos sob tutoria, de um programa diversificado de atividades acadêmicas.

2. INSCRIÇÕES E VAGAS 

2.1 As inscrições serão realizadas na secretaria do Departamento de Direito, no período de 6 de novembro de 2012 a 16 de novembro de 2012, no horário de funcionamento do guichê de atendimento aos alunos de graduação, com término às 21h00 do 16 de novembro de 2012;

2.2  Serão ofertadas 1 (uma) vagas para bolsistas e 4 (quatro) para não bolsistas.

3. ORIENTAÇÕES 

No ato da inscrição, o(a) estudante deverá apresentar:

3.1 Ficha de inscrição e questionário devidamente preenchidos; (Ficha de Inscrição disponível aqui e Questionário de Inscrição disponível aqui)

3.2 Histórico escolar emitido pela coordenação de graduação do curso contendo índice de rendimento acadêmico;

3.3 Cópia do documento de identidade e CPF.

4. REQUISITOS PARA A INSCRIÇÃO NO PROCESSO SELETIVO

Para inscrição no processo seletivo, o(a) candidato(a) deverá:

4.1  Possuir índice de rendimento acadêmico (IRA) maior ou igual a 3,0;

4.2 Estar devidamente matriculado a partir do segundo período do Curso de Direito da UnB.

5. CONDIÇÕES PARA A EFETIVAÇÃO DO(A) ALUNO(A) PET 

Para preenchimento da vaga, o(a) aluno(a) PET deverá:

5.1  Ter sido aprovado(a)  no processo de seleção;

5.2  Não acumular bolsa (em caso de bolsitas) de outro programa ou projeto vinculado a   CAPES;

5.3  Ter disponibilidade para dedicar 20 (vinte) horas semanais às atividades do Grupo     PET Direito.

6. ETAPAS DO PROCESSO SELETIVO

A seleção será feita em três etapas, divididas em fases. A primeira etapa, de caráter eliminatório e classificatório, consiste de uma avaliação escrita (prova de conhecimento sobre temas referentes às disciplinas Introdução ao Direito 1, Introdução ao Direito 2, Pesquisa Jurídica, Introdução à Sociologia, Introdução à Ciência Política, Sociologia Jurídica, História do Direito e conhecimentos gerais) e da análise do histórico escolar. Somente os(as) candidatos(as) que obtiverem desempenho maior ou igual a 60% da pontuação máxima possível nessa etapa serão selecionados(as) para participarem da segunda etapa. A segunda etapa, de caráter unicamente eliminatório, consiste em uma visita a Cidade Estrutural com acompanhamento das oficinas realizadas pelo PET-Direito, o(a) inscrito(a) deve escolher o turno da manhã ou da tarde para comparecer no questionário de inscrição. A terceira etapa, de caráter eliminatório e classificatório, consiste de uma entrevista com a Comissão responsável pela seleção, combinada com a análise das respostas às perguntas do questionário de seleção de aluno PET (em anexo) e da prova escrita.

6.1 As atividades do processo seletivo serão realizadas de acordo com o cronograma a seguir:

  Evento Data/Horário Local
Período de inscrições Início das inscrições 6 de novembro de 2012

A partir de 9h00

Secretaria da Faculdade de Direito da UnB (FA)
Fim das inscrições 16 de novembro de 2012

Até 21h00

1ª Etapa Prova de conhecimento

19 de novembro de 2012

14h30 – 17h30

FA A1 – 04
Análise do histórico escolar 20 de novembro de 2012 FA CT – 07
Divulgação do resultado da 1ª Etapa 22 de novembro de 2012 Mural da Faculdade de Direito e http://www.petdirunb.wordpress.com
2ª Etapa Visita à Estrutural 24 de Novembro de 2012

Manhã: 8h00 – 12h30

Tarde: 14h00 – 18h30

Encontro na FA
3ª Etapa Entrevista e análise da documentação 27 e 28 de Novembro 14h00 – 18h00 FA CT – 07
Divulgação do resultado da seleção 3 de dezembro de 2012 Mural da Faculdade de Direito e http://www.petdirunb.wordpress.com

6.2 Na tabela a seguir consta a pontuação máxima atribuída a cada fase do processo seletivo.

Etapa Fase Pontuação máxima
1ª Etapa Prova de conhecimento 50
Análise do histórico escolar
2ª Etapa Visita à Estrutural Meramente eliminatório
3ª Etapa Entrevista e análise da documentação 50
  Total 100

6.3  Dos critérios de avaliação e classificação. 

6.3.1 Serão eliminados(as) os(as) candidatos(as) que obtiverem pontuação inferior a 25 na primeira etapa e(ou) 25 na terceira etapa;

6.3.2 Os(As) candidatos(as) não eliminados(as) serão ordenados(as) de acordo com os valores decrescentes das pontuações totais obtidas nas duas etapas e constituirão a lista de aprovados;

6.3.3 Caso haja candidato(a) aprovado(a), mas não selecionado(a) dentro do número de vagas, eventualmente poderá vir a ser convocado(a) para ocupar nova vaga que surja durante a validade do edital 1/2012.

7. DISPOSIÇÕES FINAIS 

7.1 Informações   adicionais   sobre   o   PET   poderão  ser   obtidas   no   sítio: http://www.mec.gov.br/pet. e informações sobre o Grupo PET (Direito), seus integrantes e as atividades realizadas estão disponíveis no link do grupo em: http://www.petdirunb.wordpress.com;

7.2 O(A) candidato(a) selecionado(a) deverá iniciar as suas atividades no início do mês após a homologação do resultado pelo Comitê Local de Acompanhamento – CLA imediatamente após a divulgação do resultado da seleção, para assegurar sua condição de bolsista;

7.3  A inscrição dos(as) candidatos(as) implica a aceitação dos termos deste edital;

7.4 O(A) candidato(a) classificado(a) assinará termo de compromisso específico com a UnB e com o MEC;

7.5 O(A) bolsista do grupo PET Direito receberá, mensalmente, bolsa no valor de R$ 400,00 (quatrocentos reais);

7.6 O(A) candidato(a) selecionado(a) receberá um certificado de aluno PET após a permanência de dois anos de grupo;

7.7  Este edital terá validade por 1 ano a partir da homologação do resultado;

7.8  Os casos omissos serão decididos pela Comissão responsável pela seleção;

7.9  O presente edital entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 24 de outubro de 2012.
Prof. Alexandre Bernardino Costa
Tutor do Grupo PET Direito
Universidade de Brasília (UnB)

Pensando a Universidade com o Teatro do Oprimido

O PET-Direito UnB preparou com muito carinho uma atividade para a Semana Universitária da Universidade de Brasília que acontecerá dos dias 22 a 26 de Outubro de 2012. Inspirados na Oficina de Teatro desenvolvida na Estrutural, o grupo realizará uma atividade baseada na experiência teatral, com a metodologia do teatro do oprimido. Os participantes discutirão e representarão por meio do teatro temas relevantes em relação à Universidade, como segurança no campus, o método de ensino e avaliação, a extensão universitária e a reprodução do conhecimento. Muitas surpresas aguardam aqueles que participarem, com direito a Pink Floyd, arte e muitos sorrisos! Solte-se com a gente. Detalhes podem ser encontrados nesse link da programação da Semana, dúvidas podem ser encaminhadas a petdir@gmail.com ou na nossa Página no Facebook. Confirme presença no evento do facebook ou faça-nos uma surpresa – simplesmente aparecendo.

Turismo

Por Gabriela Tavares

Seu nome é Francisco, tem 27 anos, mas, pelas feições, não dariam menos de 35. Acorda todos os dias às 7 horas de manhã ou mais cedo. Pega os camarões na bacia que a esposa deixou preparada desde ontem a noite. Sai de ônibus para a praia. Vai vender camarão.

Mariana tem 12 anos. Acorda tarde porque dorme tarde. Quando vai ficando de noitinha, Ele bate na porta. Ela sabe o que vai fazer: toma banho, se arruma e depois desce. Entra no carro. Ele, Lulu e Dóris já estavam esperando. Ela sempre é a mais enrolada. Pelo menos não apanhou hoje. Eles vão para um hotel cinco estrelas. Ele fala com homem branco e muito bonito. Tem mais dois homens no quarto. Vai diverti-los.

Hugo tem 23 anos, está com os amigos no voo e irritado com o atraso. Eles tecem cantadas à aeromoça que fica constrangida, mas não fala nada. Mal pode esperar para chegar à praia depois de doze meses trabalhando que nem cachorro. Fala mal do chefe. O Amigo de Hugo conhece Ele e já arranjou tudo para a recepção. O hotel é cinco estrelas e mesmo chegando tarde vão se divertir. Que ótimo começo de férias.

Finalmente Ele chega com as três garotas. Hugo pergunta se elas são maiores de idade, o Amigo diz para não se preocupar. Elediz que elas são ótimas e muito experientes. Hugo prefere não pensar sobre o assunto. Mariana gostou de Hugo, mas foi oAmigo a viu primeiro. Eles se divertem.

De manhã, Ele já levou as garotas, é muito eficiente. Mariana conseguiu roubar a carteira do Outro Amigo quando ele dormiu. Vai esconder cinquenta reais na calcinha e dar os cartões para Ele. Não vai apanhar por algumas semanas. Está quase juntando duzentos reais.

Os amigos vão à praia, encontram Francisco e reclamam que o camarão está muito caro. O Amigo conta que leu na internet que não se deve comprar comida na praia. Francisco não vendeu quase nada hoje. Hugo o convence a vender mais barato, porque está mal descascado. O Outro Amigo pede para Hugo pagar, acha que esqueceu sua carteira no hotel.

Francisco vai bater na mulher essa noite por causa disso. Antes vai beber uma cachaça, porque ninguém é de ferro. Ele não gosta de beber. Sempre se lembra de sua filha Mariana e da saudade que tem dela. Segura o choro. Tem certeza que aquele gringo lhe deu uma vida melhor.

O Amigo espera que ele vá embora para dizer que os ambulantes compram o camarão muito mais barato no fim da feira. Ele passa uma hora explicando cálculos complicados sobre lucro e chega a conclusão que Francisco lucra cinquenta centavos por camarão. Ele ganha cinco mil reais por mês e vai demorar seis meses para pagar a passagem de avião.

O Outro Amigo não acha a carteira no hotel e vai reclamar na recepção. A camareira fica apavorada, diz que não pegou nada. O Chefe assegura que vai demiti-la e libera o consumo do bar até o fim da viagem para os amigos. Ela é demitida. Apanha de Francisco que chegou bêbado em casa. Lembra de Mariana enquanto descasca os camarões de madrugada.

Hugo twitta bêbado “Como exploram os turistas!” e recebe mais de duzentos retweets.

Camisinha Prudence: A culpa não é minha se você se sentiu ofendido.

Por Gabriela Tavares

Recentemente a marca de camisinha Prudence veiculou no seu Facebook oficial uma propaganda que chocou a rede. Não é preciso ser feminista inveterado para notar que toda a propaganda da marca se baseia na objetificação das mulheres e do seu corpo e que seu marketing é completamente voltado ao público masculino – basta uma breve passada de olho na sua página. Contudo, misoginia tem limites. Deve ter parecido uma ideia genial e divertida a seguinte imagem:

“Um olhar atento na terceira linha e na oitava linha da tabela uma apologia descarada ao estupro, afinal o que mais pode significar “tirar a roupa dela sem consentimento dela” e “abrir o sutiã, com uma mão, apanhando dela”? O mais interessante é que a propaganda apresenta uma dieta, o que pressupõe que o sexo que gastar mais calorias é o mais adequado para a finalidade da dieta, dessa forma, quanto menos ela consentir, maior a eficácia na perda de peso!

Quer perder peso? A seguinte combinação é infalível: tire a roupa dela sem consentimento, tire o sutiã dela com uma mão apanhando, coloque a camisinha sem ereção, tente encontrar o ponto G fazendo um 69 em pé! E não se esqueça de explicar para ela porque virou de lado depois que terminou sua parte. Eu sugeriria que você corresse, na verdade, porque depois de tudo isso é bem provável que a polícia esteja a caminho. Então, Prudence, entendi bem a mensagem?

Não tardou para a rede mandar sua resposta, explicando que sexo sem consentimento é crime e o que a marca fazia era apologia a um crime. Alguns dias se passaram e nenhuma palavra oficial até que, finalmente, a retratação:

Não sei se eu estou muito exigente ou essa foi uma “retrataçãozinha” muito pequena para a força da imagem que veicularam. Foi como dizer: desculpe, agimos mal, mas a culpa não é nossa, essa imagem nem foi a gente que fez – e se quiser reclamar, por favor, faça em privado.

Talvez, como política da empresa a melhor coisa a se fazer é evitar escândalos e essa retratação tenha um sentido de fazer com que todos esqueçam o que aconteceu, mas os comentários não pararam o que forçou a empresa a fazer duas novas retratações e, inclusive, se comprometer a iniciar uma campanha contra a violência sexual. Nada disso é adequado, o que deve ser feito é tomar para si a responsabilidade pelo ocorrido e aguentar as consequências, demitir quem tiver de ser demitido e orientar os responsáveis pela página a respeitar as leis, a constituição e, principalmente, os direitos fundamentais.

Não é assim, não é tão simples apagar o que foi vinculado junto a marca. Parece simples, mas imagine que tivesse sido uma propagando evidentemente anti-semita – a comoção seria completamente diferente. É fácil agredir as mulheres e sair com um pedido de desculpas ou fingir isenção de responsabilidade. Não levam a sério a opressão contra a mulher, tudo pode ser piada quando falamos nesses termos. A ofensa e o preconceito contra as mulheres são diários, vemos na televisão todos os dias. Basta ligar nos jogos olímpicos e ver o que se fala das competidoras e dos competidores (“ela é bonita, ela tem um físico escultural”/”ele é um bom atleta, ele tem habilidade”), basta assistir uma propaganda de sabão em pó, bastar assistir ao jornal. Não queremos desculpinhas esfarrapadas, queremos respeito e igualdade de verdade!

Sempre ouve-se falar da cultura de estupro e as reações são de puro desdém. No imaginário geral o estupro é algo cuja culpa é exclusiva do estuprador – que é um doente mental. Tentamos explicar que o estupro é parte da cultura no sentido que a culpa e a prevenção ficam a cargo da mulher, fazemos marchas e manifestos, somos considerados radicais e delirantes. Não há delírio da nossa parte, uma empresa que trabalha com sexo veicula uma propaganda dessa sem a menor noção do que faz e a mensagem é simples: tudo bem estuprar – desde que use nossa camisinha. É algo tão natural que a mulher diga não e, mesmo assim, o homem a violente que virou até marketing!

Contudo, você pode argumentar que é só uma piada. Pense em uma situação hipotética na qual você é um estuprador. Você está navegando na internet e vê uma piada sobre estupro – pode ser essa ou tantas outras – e todos na página acham muito engraçado, tratam com naturalidade. O mais provável é que você tenha certeza naquele momento que o que você faz é, no mínimo, socialmente aceito.

De quem é a responsabilidade? Nesse caso, da Prudence que além desses pedidos estúpidos de desculpas devem ser multados e penalizados por veicular esse tipo de informação. Nos outros casos, de todos nós que ensinamos nossas garotas a não serem estupradas e não nossos garotos a respeitarem o corpo alheio.