Alceu Fernandes

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Um dedo de prosa com um doutor desconhecido


Meu doutor, peço licença,

Uma dose de atenção.

Deixe de impaciência

Eu estendo a minha mão

Pra contar a minha história,

Que tem crise, mas tem glória

 – Não vire as costas não!

 

Vim da terra das Lagoas

La, Sabiá custa a cantar

As Palmeiras morrem secas,

E não tem como plantar,

Eu até tinha semente,

Mas o solo é rachado e quente

Nem Mandacaru queria brotar.

 

Por tanto quem não chance,

Quase não tem dignidade,

Eu cresci foi pra ser gente,

Então saí da minha cidade,

E como numa contra mão,

Lá deixei parte de mim,

Chorando no meu Sertão.

 

Então cheguei nesse lugar,

Com esses prédios invocados,

O sotaque é invertido,

Quase tudo com chiado,

Mas sem medo logo eu vi,

O meu futuro mora aqui,

Que cantinho bom e arretado!

 

Nessa vaquejada muito doida

Que chamam de faculdade

Laçar o touro nervoso

Não é nenhuma facilidade

Mas quando se faz o que se ama

Mesmo sem um tostão de grana

Se é feliz e com vontade.

 

Doutor desculpe o alongamento,

Nem vi o tempo passar

Tome logo o seu rumo que eu preciso estudar!

Pra trazer a minha titia

Que chora noite e chora dia

Esperando eu voltar!