Da exaustão de se entregar demais e dos dissabores do trabalho em conjunto

Por Abel de Santana

Serei breve, acredito. Já adianto-me nas desculpas agora, caso assim não o seja. Prometi a mim mesmo que não voltaria atrás para substituir uma palavra sequer, o que inclui a apresentação tola.
Como é pertencer ao meio que você sabe que não te pertence?
Cabem metros nessa resposta. Ser diferente não é um mal. Não deveria. Como tendente ao materialismo, não sou capaz de violar o que diz respeito à razão do mundo material, sem desconsiderar a utilidade pragmática do discurso, antes acreditando que, por si só, não é critério de validade para nada. A composição de interesses (e não de posições) é via segura para estabilização de expectativas com respeito ao outro. Não posso me estribar em superficialidades. Seria negar-me a mim mesmo a verdade.
A verdade não existe, eles dizem. Mas é claro, se já de início emerge a declaração mentirosa.
Ah, a ontologia.
Birra ideológica é ódio. Quando o critério é o conflito pessoal perante o grupo, não há critério, é ódio. E hipocrisia.
Hipócritas destilam seu ódio o tempo todo com declarações homicidas a respeito do outro. Reclamam da teoria do inimigo, mas de tanto conhecê-la, sabem aplicá-la com precisão.
Que não seja levado a mal. Que eu não seja mais o mau.
Discutir censura? Tá pensando sério? Não sou capaz de levar a sério.
Tão bom seria se houvesse mais discordância, mas na discordância, tolerância e respeito.
Daí voltamos ao ideal social-democrata da não violação da autonomia privada e liberdades individuais e promoção de direitos fundamentais.
É o pensamento menos genocida que sou capaz de alcançar.
Não se trabalha sem autonomia, não se respira sem liberdade, não se contesta sem diretos.
Estive recatado do lado mais intolerante da moeda. Eles pregam o contrário.
Eu quis não me manifestar. Mas a expressão máxima de vontade no que diz respeito às próprias aspirações; a negação da disciplina quando se deve assumir e cumprir compromissos; o esmagamento meramente moral do argumento contrário; o trabalho em conjunto torna-se inviável, a menos que se queira construir o constructo jocoso.
E é por me entregar demais que hoje jogo a toalha.

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