Arma dura

por Vitor Salazar

Sobre a fina membrana que traz a cor
Repousa uma imóvel carapaça rígida,
De cuja dureza não faz aparentar a dor
Que se dilui tanto mais quanto a tez híbrida

Sob a epiderme marcada que não descama
Há dúvida silente se também se sente
Se não jaz oco, corpo em drama de ser cama
Ou se faz estéril por legado ausente

E sobre-sob peles nos encarnam a distância
A liga estanca entre nós naufragada
No fundo escuro, tendo de lhe ser caçada

E na procura por refúgios na vida
Se encontra o descaminho autofágico
Que corrói a pele sem amenizar o Trágico.

Vitor Salazar, Dia da Marcha, 2015.

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