Pobre de bolso, rica de chão

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                                                                              Por Ingrid Martins e Vitor Magalhães

 

Com tom esnobe, vieram me dizer
“- Sua rima é pobre!” 
Pobre sou e vou cantar: os causos dos meus dias, a seca, o cangaço, a valentia – 
O verso branco aquarelar!

Grito!
Para garantir minha fala, meu protagonismo no contar 
Para proteger minha voz, meu direito de participar. 
Nenhum doutor desses letrados, rico de berço, advogado pode dizer o que vivi melhor do que posso mostrar

Reivindico! 
A não hierarquização entre saberes, a reinvenção das formas. 
Meu verso é matuto, é arte, é cultura popular.
Descarrego o meu sotaque sobre quem me subestima
A vida severina que canaliza minha capacidade de transformar. 

Dispenso! 
O discurso técnico que se pretende doutrinação. 
Que dita o que é arte, que dita o que é ciência, dita quem entrar ou não.
Melhor que se prender no texto, no falado e na falação,
É poder andar e rimar pelo sertão.

Isso porque nem só de ouro é a riqueza, minha fia: 
Oxente, tem muito mais a brilhar! 
De pobre só o bolso, o resto é riqueza de lascar! 
Pobre de quem lê esse tanto mas num tem condição de aplicar, 
Nessa miséria de quem não tem chão para sonhar.

Quer saber, na tal UniverCidade, qual o meu lugar?
Digo: não sou mais uma, nem catôco a limpar. 
Não tou de brincadeira, me acheguei para ficar! 
Sou nordestina, negra, dialógica, contra-hegemônica. 
A quem não me conhece, prazer
Sou extensão continuada popular.

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