Partidos e partidas

*Por Edson J. D. de Sousa

Poesia é coisa de partidos
e de partidas.
É gesto que avança sobre telhado quebrado,
sobre a palavra
e sobre a Lua que desce.

Poesia é coisa de partidos
e de partidas.
É arte submissa de seu abismo,
de que entre intenção e concreto
há ainda o visível.

Poesia é coisa de partidos
e de partidas.
É lugar de passagem, é território
de tudo desatino e do todo que é eterno
– é nossa gramática sobre o abatido.

Poesia é mesmo esse enxugar gelo,
brigar com sua norma na minha rima.
É furar a fila
de partidos e partidas.

Poesia é essa estupidez decantada
de que com o canto tudo fica bem,
e de que parafraseando o corpo e a vida
– linha por linha –
rompemos também a morte.

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