Joga pedra, Geni

                                                                                               Por Ingrid Martins

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No meio do caminho tinha uma pedra.
Tinha uma pedra no meio do caminho.
A pedra era ela.
“Joga pedra na Geni!”

Diz que deu, diz que dá, que dará pra quem quiser.
Dizem que Deus dará: castigo!
“ – Essa moça não tem família?
Olha o tamanho da saia dela!”

No meio do caminho tinha uma pedra.
Tinha uma pedra no meio do caminho.
A pedra era mal falada, feita pra apanhar, boa de cuspir.
Era pra comer em uma noite e não ligar no dia seguinte.
Era pra ser diversão dele, não a mãe dos seus filhos.

Pedra não diz que não, pedra nem dizer diz…
Ela queria.
“ – NÃO! Me solta!”
NÃO. NÃO. NÃOOOO
Ele queria.
“ – Eu sei que você quer, não precisa fazer charme!”
Ele ejacula. Ela se contorce – de medo, não de prazer.

Nunca me esquecerei desse acontecimento.
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Vara de família. Pensão alimentícia.
“ – Ela ainda quer o meu dinheiro? Que vá trabalhar!
Haja pedra no meu sapato!”

É falo, é pedra, não é o fim do caminho.
Geni juntou as pedras. Joga pedra, Geni, em quem te julgou, em quem te abusou, em quem te objetificou.
Somos todas Geni.

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