Corpo

*Por Edson J. D. de Sousa.

 

Estou indefeso

O corpo, o meu, convida-me à intimidade.

Resiliente, perco-me em vísceras

–  labirintos de vida –

Perco-me no sangue que escorre em vasos

e na alma enfezada de doente.

Meus músculos,

antes motores à combustão

– inflamáveis como meu mau humor–,

comprimem-se em gás inerte.

Inodores, não mais alçam meu voo suicida pela vida.

– O cotidiano é meu analgésico –

 

O preço cobrado pela vida

é a própria vida que se autoconsome.

A dilaceração de dias e noites bem vividos

– a fatura de-vida –,

é como a poesia fagocitada vida por vida.

 

Defeso é apenas

a Ode à vida e aos vírus.

 

self-portrait-as-st-sebastian-1914
Obra de Egon Schiele (Tulln an der Donau, 12 de Junho de 1890 — Viena, 31 de Outubro de 1918), pintor austríaco ligado ao movimento expressionista.

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