O nojo do gozo que não participei – sobre estupro e outras formas de machismo.

                                                                                                                         *Por Hanna Thuin

***A história que segue é suja, densa- tão densa quanto o último respingo dela. A história que segue é dantesca:  retrato de um pesadelo acalorado pelo inferno. É uma história que nada posso barganhar para esquecer; história que nada pude fazer para deter. É uma história-memória sem cortes ou censuras – a linguagem é crua e dura. Inadequada para quem com a verdade da realidade não pode ter. Não leia se este último papel cabe em você.

Saía da aula. Tarde. Estacionamento parcamente iluminado. Transeuntes inexistentes. Tudo era sombra – à exceção da Lua cheia: seria ela a única a testemunhar.

Seiscentos metros; sessenta passos: foi essa a distância percorrida antes que aquelas mãos segurassem firme meu ombro. Segundos. Minha bolsa no chão. A chave do carro perdida na grama próxima. Eu não conseguia gritar, mexer, fugir. Desespero. Enquanto uma mão rasgava minha blusa, a outra expunha o pau duro para fora da calça. Quis vomitar.

“Vadiazinha. Piranha. Vou te comer sua patricinha. Fica quietinha. Se abrir a boca, te mato”.

Sob o bafo dessas palavras, despertei. Reagi, tentei escapar. A força dele era o dobro: eu quis ter voz para morrer.

“Papai aqui vai te mostrar como se faz. Te foder toda. Te mostrar o que é um homem de verdade”.

Subjugou-me pela testosterona dobrada: forçou-me os joelhos ao concreto; forçou-me a boca ao pau ereto. Segurava-me pelos cabelos. Ia e voltava, com força, a cintura no meu rosto. Aquele chicote estalando na minha garganta. Os pelos do escroto roçando nos meus lábios.
Uma.
Duas.
Três.
Quatro.
Perdi as contas de quantas vezes sufoquei; de quantos tapas deferiu-me com aquelas mãos de monstro pelos desmaios que meu nojo ensaiou. Incansável. Só parou quando da minha voz saiu o vômito. Vômito que conheceu mais minha pele que o chão. Vômito que não interrompeu o animal; vômito que não o comoveu; vômito que não o impediu.

“Sua porca. Escrota. Tá com nojinho? Agora vai ver o que é bom”.

Arrancou minha saia. Jogou-me ao chão. Minhas bochechas esfoladas no asfalto. O corpo pesado daquele homem me esmagando. Aquelas mesmas mãos monstruosas forçando caminho entre as minhas pernas; aquele mesmo pau duro a me violar.Ao sangue do meu rosto arranhado, da minha boca cortada, juntava-se o sangue do meu sexo machucado. Escorria a resposta das minhas entranhas; traduzia em cor a dor que eu não conseguia gritar. O bafo daquele homem estranho, sua respiração descontrolada aos pés do meu ouvido. Aquela coisa asquerosa entrando e saindo de mim:
entrando
e
saindo;
entrando
e
saindo.Sob o meu pranto silencioso, o rosto desfigurado de tantas idas e vindas da pele naquele recorte duro de piche- o ritmo dos arranhões conduzidos pelo pau insaciável de um estranho. Além do choro, o sangue; além do sangue, o gozo. O gozo dele. Aquele sêmen todo a adoecer minhas partes; aquela porra a descer pelas minhas pernas: líquido branco, denso: morte.
Liberou seu peso sobre mim. Recolheu o pau murcho à braguilha fechada.

“A princesinha tá toda fodidinha. Já quer mais, né, putinha? Delícia.”

Dispensou um último tapa forte na minha coxa – foi embora caminhando. Minhas mãos desceram à virilha; manchei-as com aquela mistura de branco com vermelho: jamais unir-se-ão em rosa.
Não sei quanto tempo larguei-me ali. De pernas abertas. De roupa rasgada. De olhar perdido. Quando me encontraram, já era tarde. Tarde na hora do relógio, tarde na hora impossível de se evitar: ninguém mais poderia me salvar, minha vida acabara ali.

Dos procedimentos que se seguiram- o IML, os infinitos exames, as tonalidades e prescrições de cada caixa de remédio-, apenas participei do banho. Esfreguei minha pele com tanta fúria, com tanto nojo, como se a carne daquele homem não fosse se desprender nunca da minha – como se ele ainda estivesse ali. Não terminei enquanto outras nuances minhas, além da dor, tornaram-se expostas. Aquela noite me tornou uma pessoa quebrada: deixou a memória no corpo; usurpou a (c)alma.

Os únicos momentos em que eu recobrava a vida, para logo perdê-la, afloravam ao longo do sono. O chão áspero, o pau duro, o nojo, o sangue, o gozo dele escorrendo pelas minhas pernas. Como se todo dia eu precisasse morrer um pouco mais. E morria. Pesadelos sem rosto – assumiam um novo a cada abrir de olhos. Todos se tornaram, assim, possíveis estupradores: o porteiro, os amigos, os vizinhos, meus irmãos. Enxergava em todos eles a mesma repulsa. Ninguém escapava ao meu medo; o medo não poupava sequer os Santos.

Em algum ponto, porém, estar morta tornou-se insustentável. Não havia o que fazer quanto ao meu homicídio – não acharam um nome a punir pelo estupro. A minha morte, contudo, desenrolava-se em outra: mamãe. A culpa, tão injusta em escolher suas vítimas, a atingiu, a adoeceu. Não foi por mim, portanto, que voltei – foi por ela. E, ao voltar, percebi que não só por ela eu deveria renascer, mas por todas. Por todas as mulheres. Por todas as mulheres que tiveram seus corpos violados e suas almas furtadas, mutiladas, assassinadas.

Por todas as mulheres estupradas ao percorrer o caminho entre a L2 e a UnB. Por todas as mulheres estupradas ao pegar uma van de Copacabana para a Lapa. Por todas as mulheres estupradas após serem intencionalmente drogadas por seus colegas de trabalho. Por todas as mulheres enganadas por seus ídolos e, por eles, estupradas coletivamente. Por todas as mulheres forçadas a transar com seus companheirxs- porque isso também é estupro. Por todas as meninas abusadas por familiares ou pessoas próximas. Por todas as mulheres e meninas que se calaram por medo, que não denunciaram, que se sentiram culpadas porque assim, desde sempre, foram ensinadas pela sociedade. Por todas as que não conseguiram carregar o peso dessa memória e encontraram, no suicídio, a única possibilidade de redenção. Por todas as mulheres que não renasceram; por todas as que sobreviveram; por todas as que, como eu, de alguma maneira, hão de sobreviver (e renascer).

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O estupro é um dos filhos bastardos do machismo. Bastardo porque deste herda os traços, mas não o reconhecimento. O machismo é a raiz podre que germina em solo Argiloso; é o início do espinho que emerge na Terra Roxa; é o calvário que se instala no Calcário. O machismo está em toda parte. Enraizado. Reproduzindo livremente seus podres frutos e alimentando, com eles, tradições e poderes apodrecidos. O machismo veste muitas cores, muitas modas, muitos nomes. O machismo é a nossa crítica à saia curta e ao decote; o machismo é a nossa repulsa à puta e concomitante glorificação do conceito menina-santa-songa-monga. O machismo é a crucificação do aborto travestido de religião; é , também, a proibição da ordenação da mulher. O machismo é árvore de muitos galhos.

O machismo não me deixa jogar bola, porque futebol é coisa de homem; não me deixa conduzir um carro, porque mulher no volante é barbeira; não me deixa ser a capa de um jornal de finanças, sorridente e bem sucedida, porque esse papel milenarmente cabe, tão somente, ao homem (branco). O machismo não deixa que eu me expresse, que eu marche pelos meus direitos, que eu exponha meu corpo como eu quiser. O machismo não deixa que eu escolha minha foda, a minha companheira no lugar de companheiro – se quero ou não ter filhos. O machismo não me deixa ser mãe solteira. O machismo não deixa que ela ganhe mais que ele ou que ele cuide da casa e auxilie-a nas responsabilidades domésticas. O machismo não deixa que a mulher seja o que é: forte. Ele tenta o tempo todo submetê-la à obediência, à submissão, à resignação.O machismo, contudo, sabe ser generoso – abre “exceções”. O machismo permite objetificar o corpo da mulher para que seja essa a imagem impulsionadora das vendas de carros e de cervejas. Permite ao marido ser convocado em propagandas toscas de rádio a bancar o consumismo clichê feminino – resume a mulher ao crédito. Permite e reforça a exigência das curvas sempre exatas, da roupa comportada, das unhas feitas, do cabelo liso e escovado. Permite que o cavalheirismo seja visto como gentileza dele e o sexo como obrigação servil dela. Permite que ele faça da infidelidade um estilo de vida e do pênis um instrumento de reconhecimento e poder. O machismo permite que a apologia ao estupro em uma recepção de vestibular seja vista como um caso isolado de “dois babacas” dessintonizados com o curso e não como um problema institucional que ultrapassa os muros da Universidade- o espaço acadêmico hodiernamente (e infelizmente) ainda reproduz, sem a necessária reflexão, os ecos e ensinamentos que vêm de antes, que vieram e vêm lá de fora. O machismo permite que a hipocrisia se diga moral e, em um cuspe, agrida as mulheres que marcham por um necessário despertar; permite, inclusive, normatizar o estupro, assegurando, àquele líquido branco, a hospedagem no útero, sem questionar a existência de um prévio aceite: se ela disse sim ou se disse não, para o machismo, tanto faz.
Engana-se quem pensa ser o machismo opressor apenas do feminino. Senhor feudal, pai, filho e herdeiro das tradições e do conservadorismo, o machismo é poder corrupto e mecanismo de exclusão que se pretende perpétuo. É em nome dele e por ele que se prega e legitima o homem branco como “the chosen one” para dominar a tudo e a todos.

É em nome dele e por ele que se máscara o fundamentalismo de democracia e a intolerância de religião. É ele quem dilata as nossas glotes e permite um indigesto Feliciano permanecer na presidência da Comissão de Direitos Humanos. É ele que impede o Ministério da Saúde de veicular uma campanha em que afirma que prostituta também é gente e é gente feliz. É ele quem veta um kit que prega o respeito e a compreensão da sexualidade que escapa aos padrões normativos, mas permite e incentiva, com recursos públicos, a distribuição de uma cartilha que não contente em veicular a homofobia, relativiza o estupro, personificando o gozo do estuprador em uma vida a ser protegida. É ele que condena as rupturas, que agride àquela que se insurge contra o sistema, que demoniza quem ataca seus símbolos. É em nome dele e não de Deus que se pratica o racismo, a homofobia, o feminicídio, a opressão de classes. É ele quem cerceia com normas, padrões e pecados intransigentes o próprio existir dos sujeitos.

Não sejamos ingênuos nem tenhamos piedade com quem nunca nos poupou. Não se combate o machismo com afagos na cabeça e conversas baixas. Não se combate o machismo com a manutenção dos símbolos nem com o silêncio de quem a tudo assiste inerte e, assim, consente. Não se combate o machismo marchando em fila indiana e batendo continência para a hipocrisia. É preciso peito. Esteja ele nu ou pintado – a coragem de impô-lo traduz-se na ausência de panos, sem temer o pudor do moralismo alheio. Não existe paz sob a regência do medo. Não existe democracia quando a metade do povo, dita ironicamente de minoria – cracia-, é feita de demo indialogável e invisibilizado pelas bandeiras monocromáticas do branco classe média hétero “religioso”. É muito fácil criar pecados e interpretar de maneira viciada o calçado do Outro, difícil é dispor-se à alteridade de enxergá-lo para além dos estigmas e da herança dos frutos podres que desde cedo nos são dados como alimento e como instrução.

Que o senso comum, a homofobia, o racismo, o feminicídio, a opressão de classes, a xenofobia, que todos esses rostos do machismo se tornem, a cada dia mais, os verdadeiros outsiders. Sejam eles os deslocados, os excluídos, os eliminados. Que a gente desperte os sentidos e a vontade para entender e enfrentar o verdadeiro inimigo e seu exército de formas, linguagens, poderes, pessoas. Que a nossa revolução comece em nós mas em nós não termine e não se contenha; que se expanda, que invada a rua, o comércio; que barulhe os ouvidos até que seja verdadeiramente escutada, sentida, pensada.

Há muito para fazer: há um tanto de dureza e concreto para demolir. Os caminhos, contudo, estão aí, abertos. Há um incômodo com potência para ser mudança. Há gente muito boa na rua pronta para o novo. Que a gente não perca o embalo e nem a coragem e, se por ventura, faltar o norte, que a gente tenha o gosto do nojo na memória: aquele líquido branco banhado de sangue e de pranto – gozo egoísta, monstruoso.

– Algumas das nuances do machismo que nos cerca:
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29 pensamentos sobre “O nojo do gozo que não participei – sobre estupro e outras formas de machismo.

  1. Sinceramente Hanna, a ânsia ainda me toma, mesmo que tenha lido apenas um texto. É absurdo pensar que essas coisas acontecem, e se acontecem. A podridão do ser humano que se sente forte da forma mais vil… Espero que um dia o mundo veja esses fatos como história praticada por seus “ancestrais da caverna”.

  2. Bianka Duhau

    Sinto um enorme desespero quando leio/ouço algo de tal cunho. Como não ter sangue nos olhos para lidar com uma situação dessas?
    Alivio-me um pouco, porém, ao ler um texto que expresse minhas repulsas.

  3. nohatejustreason

    Hahahaha quase não da pra levar a sério um texto desse. Ele começa com um fato hediondo pra conseguir empatia e depois só fala bosta. Agora racismo é culpa do “machismo”? Opressão de classes é machismo? O restardado do Feliciano falando merda no twitter é machismo? Daqui a pouco vai ser o que, matança dos golfinhos no Japão vai ser machismo tb? Teoria de conspiração do homem na Lua deve ser machismo tb. O Flamengo perder um jogo tb é machismo! Pronto. Corrupção é machismo. A passagem de onibus aumentar é machismo. Esse comentário aqui é machista e seu texto tb é machismo, já que qualquer merda hj em dia é machismo. Sinto muito que vc tenha sido estruprada e esse crime é ridículo e não deveria acontecer com ninguem, mas por favor né? Um pouco de bom senso é bom, não é lutando contra o “machismo” que todas as mazelas do mundo vão desaparecer, esse tipo de texto idiota me faz quase querer apoiar o outro lado, parece que mulher é tudo vingativa querendo só punir alguem que fez merda pra ela. Mto embelezado seu texto, mas da proxima vez, menos ódio e mais consciência caia bem.

    1. Mainá F.

      nohatejustreason:
      Por querer estar do outro lado, te consideraria um estuprador em potencial. Mulher só quer se vingar do que fizeram com ela? Um caso de estupro não pé pra se vingar? E se sua mãe chegasse na sua frente com as pernas sangrando toda machucada, você ia achar: “AH! Mãe, deixa disso, pra que amargura e ódio, você supera, é ridículo o que o cara fez com você mas não é pra tanto!”. Tem gente que só vivenciando para entender, não tem capacidade de se colocar na pele do outro. Sinceramente, analise bem que não é que tudo é machismo, mas se você estudar o conceito do machismo com base no poder, na força bruta e no pinto, a força bruta para caçar as bisavós e forçá-las a casar, para bater nas mulheres em casa com total conivência, nos séculos anteriores, por gerar um medo coletivo nas mulheres formando a opinião nelas mesmas que mulher deve ser obediente, vestir roupa longa, que mulher pra casar é uma, que pra transar é outra, que mulher que tem orgasmo é vagabunda, que com 12 anos já é idade pra casar com o senhor feudal de 40 anos, enfim, tudo isso se instaurou com base em força física e abuso disso. Apesar de muita luta das mulheres que se revoltaram com essa situação, e foram obtendo resultados, o que mostra a força da mulher que mesmo que não física em relação a do homem, é um poder de relação, de reflexão (o que tem gente que precisa muito aprender a fazer) e de sentidos. Sendo assim, tudo o que é desigualdade de direitos, mesmo que não pela lei (e também pela lei), mas definidos por instituições sociais tão enraizadas em nós, homens e mulheres que acabam deixando um Feliciano no poder, fazendo com que os HOMENS matem golfinhos na Dinamarca para os meninos virarem homens, a seleção brasileira feminina cair por terra por falta de dinheiro, a escravização que é um jogo de poder e força, de armamento e dinheiro e que foi feito por homens já que mulheres não iam à guerra e eram submissas ao marido, por um acaso do destino, aqui no Brasil que ainda existe racismo, apesar de ter todos os tons de branco ao preto de pele, uma mulher um dia, seja por amor, seja por consciência, instaurou uma lei de alforria aos escravos. Claro que homens bons participam, apoiam, refletem, se colocam no lugar e lutaram junto. Acontece que o que restou de uma história machista está implícita em várias pequenas ações e pensamentos dos velados aos explícitos. Se sua mulher quisesse ser uma dançarina em boate, você acharia legal e apoiaria? Porque a primeira coisa que passa na cabeça do homem é que ela já não serviria para ser a esposa, já que todos os seus colegas iriam vê-la dançar no mastro nua ou semi nua, lhe dar dinheiro e lhe faltar com respeito. Essa reação é um machismo que está impregnado em seu subconsciente, na sensação e pensamento que lhe viriam nessa situação. Não está na decisão de jogo do Flamengo, mas está em toda desigualdade de gênero (homem, mulher, homossexual que é agredido por homens já que ser homossexual agride a masculinidade da figura do Homem), diferença de poder como consequência histórica do legado que nossos homens “ilustres” da nossa história nos deixaram, de rituais de violência, de diferença de salário, de achar que pode ou não pode fazer algo que o outro não pode e não queira. Só reflita melhor antes de achar que um estupro serve para se promover e ganhar empatia. Um estupro não é um soco na cara, não é só uma dor física que em uma semana passa. Se algum dia você fosse preso e resolvessem te comer na cadeia, aposto que isso não ia doer e sangrar só seu reto ou machucar sua garganta, iria te mudar completamente. Pensa nessa cena e na sua reação diante de quatro homens fortes e armados, loucos de tesão por você. Você pode tentar reagir e apanhar o que for, pode preferir morrer a isso. É isso, ser estuprada é como se morresse todos os dias e não pudesse, até que algumas cometem suicídio, outras convivem eternamente com medo e depressão, nojo, raiva. Ninguém quer empatia com uma violência dessa, o que a autora quis fazer é um modo de que as pessoas pudessem trazer para o campo imaginário essa situação consigo mesmo ( o que para os homens é bem difícil), e depois alertar para como essa imposição masculina afeta e está implícita em várias situações outras que não só a sexual, como a maioria pensa.

    2. Anônimo

      nohatejustreason:
      O seu foi o único comentário racional.

      O estupro é um crime hediondo, sempre será. Também não é exclusivo da mesma forma, se não acredita vá ver você o número de casos de estupros em homens realizados por mulheres. No passado estuprar as mulheres dos derrotados chegou até a ser um espólio de guerra. Óbvio que isso era uma forma de terrorismo, antes que você sugira que se fossem as mulheres guerreando isso não aconteceria. Então não me venha dizer que as sociedades patriarcais consideravam isso normal e aceitável. Ele é fruto não do machismo, mas sim de uma mente doentia. Fruto de um desejo sexual descontrolado. Querer relacionar machismo e estupro é mais que ridículo, ao menos da forma que você fez. A maioria dos homens, machistas ou não, que eu conheço, nunca estuprariam uma mulher, e matariam um estuprador se pudesse. Agora digam se para a maior parte de vocês isso não se aplica. Estupradores são minoria, e costumam ter algum tipo de psicopatia. O seu texto anti-machista só demonstra que dificilmente quem escreveu esse texto foi estuprado. Acredito que uma pessoa estuprada não estaria nem um pouco preocupada com machismo ou feminismo. Ninguém pode ter o desrespeito de achar que existe algum realismo nas próprias palavras ao se colocar no lugar da pessoa que foi estuprada. Me parece pior ainda utilizar da dor de outro pra briguinhas sexistas ultrapassadas. Você não escreve em nome dessas pessoas, escreve em seu nome.

      1. Amandha

        escreve em meu nome também, que fui estuprada e consigo ver no seu relato muito do que sofri. Escreve com ódio pq é muito do que nos resta, escreve querendo culpar muitos, já que não pode culpar um só (pq são muitos, pq fugiu, pq não tem provas, pq não tem coragem). Escreve com coragem pq muitas se omitem, escreve com respeito a ela mesma e a mim tb.

      2. Breno

        É como se a culpa de tudo fosse do homem. É como se homem também não fosse estuprado nem sofresse de machismo praticado por mulheres. Homens também são oprimidos por mulheres. E é como você disse: é uma minoria de homens que são estupradores. E ela conseguiu ver até nos irmãos um estuprador. Parece que culpa o esperma e o pênis pelo ato, como se eles tivessem condições de raciocinar. Muitas mulheres não percebem que outras estão mostrando o corpo na revista, nas propagandas de veículos e cerveja porque isso foi decisão delas; elas ganham, e muito bem, para isso. Parecem se esquecer que a maioria nas universidades – como gosta de frisar nossa presidenta – é de mulheres. Parecem se esquecer que, apesar de estupros e assassinatos de mulheres, a maioria que morre no País é homem. A maioria dos moradores de rua é homem.

    3. Amandha

      Coitadas das pessoas que convivem com vc, provavelmente mais um “tarado estuprador de valores” é o que vc é. Poderia chamar vc de burro tranquilamente, sem nenhum receio de está cometendo uma injustiça, mas apenas direi que vc não foi sensível o suficiente para perceber que o texto estava carregado de “entrelinhas”, de um discurso que foge ao que ta escrito, que ela coloca a palavra machismo, muitas vezes para expor todo tipo de agressão, de preconceito, de valores mesquinhos como o seu.

  4. Marcela

    nohatejustreason, que tal focar na descrição do que é ser estuprada? Crime que acontece a cada minuto, um crime nojento que é totalmente MACHISTA, e que a grande maiorias HOMENS E MULHERES, não dão a devida visibilidade e importância, ou então cale-se e não venha querer pagar de culto, por que o seu comentário desmerecendo um texto com tanto impacto é ridiculamente BURRO. Aliás “parece que mulher é tudo vingativa querendo só punir alguem que fez merda pra ela” é vingativo querer punir um estuprador, a punição por um ato criminoso chama-se JUSTIÇA caso não tenha sido informado. E já que o senhor intelectual aí faltou as aulinhas de interpretação de texto eu te ajudo o retratado no texto é que o sr, Feliciano é machista (além de notoriamente racista, homofóbico etc…) e tendo um representante tão arcaico no governo, NÓS, todas as mulheres, continuaremos sendo alvo de seres machistas que se sentem livre para acabar com a vida de mulheres, ainda mais as que deram o azar de serem mulheres, negras e homossexuais, essas então com representantes assim correm o risco de em nome de Deus serem levadas a fogueira, SACOU?!
    A gora um conselho para sua vida caro nohatejustreason, se não tem nada de útil para acrescentar, permaneça calado na sua ignorância.

  5. Marcos

    Eu como homem branco, heterossexual, e agnóstico venho aqui dizer que você esta coberta de razão. Já que o machismo também afeta os homens sensatos ( é claro que bem menos que nas mulheres). Por exemplo a obrigação de ser um macho pegador, ter que pegar o numero máximo de mulheres em uma noite não importando quem seja, ou o que desejamos. Ou então o claro desgosto de meu pai quando preferi namorar com uma menina fantástica, porem com um padrão de beleza diferente do ditado pela sociedade, ao contrario de meu irmão que só fica com patricinhas fúteis. Citando Kurt Kobain: algumas horas gostaria de ser gay só para chocar a sociedade. O que estou tentado dizer com esse post, é que você tem o meu total apoio, e também estou esperando ansioso pelo fim do machismo, e por uma sociedade igualitária.
    Um abraço.
    Marcos

  6. É foda, porque não importa a maneira como você descreva um estupro, só você sabe o que realmente aconteceu (ou não, às vezes me daparo em pensamentos infinitos, tentando idealiza-lo como um pesadelo qualquer, para tentar não acreditar de verdade)… e como doeu. Ainda estou elaborando um texto para pôr em ordem, minha vida talvez, pôr um ponto final neste fálico colega de cinco anos atrás. Muita força, obrigado pelo texto.

  7. Anónimo

    Só não podemos esquecer que homens machistas ou não, são educados por mulheres, numa fase crucial da vida, INFÂNCIA, talvez estejamos incentivando de alguma forma, obvio que na melhor das intenções, esse tipo de comportamento doente.Que voce possa encontrar PAZ…

    1. Anónimo

      Hum… só por mulheres eles são educados?
      Pera lá que esse discurso de que “mulheres são as mais machistas” é pra lá de machista.

  8. Ferdi

    Muito obrigada por ter a coragem de compartilhar isso e tornar assim o mundo um lugar mais consciente.
    Espero que um dia você possa deixar isso totalmente para trás e não se sinta mais violada.

  9. Pingback: Sobre estupro e outras formas de machismo | Menina Thiara

  10. Amandha

    Só posso te agradecer pelo seu texto. Sei que é uma dor indescritível mas vc conseguiu expor o que muitas mulheres sentem. Com certeza vc é um ser iluminado pq transformou sua dor em uma forma de despertar para que nossa sociedade enxergue quão fundo é o poço do machismo, do preconceito, da intolerância. Parabéns, sinto orgulho de vc. Obrigada

  11. Wera Lucia muniz

    Não me importo com a delonga de comentários a respeito, já que não sofreu – não entendeu; Um texto não deve ser retrato falado de um ocorrido, não é uma fofoca contada pormenorizadamente, mas uma forma de expor um sentimento, um alerta, um desabafo, quer pelo sistema de segurança pública, centrais de atendimento da saúde, e, que siva para todos. Não acontece apenas com essa ou aquela, todas estamos sujeitas, já que, não conhecemos o inimigo! Parabéns pelo contexto literário.

  12. Anónimo

    Puta que pariu!!!! como um assunto tão serio como o da autora e os que entram em sua defesa, pode gerar tanta polemica de bosta… Esses que criticam tenho certeza que enquanto teclam o outro dedo médio tá dentro do cú… cambada de cuzão do caralho….

  13. Pingback: Pesquisa sobre o estupro: e se a pergunta fosse outra? » Fundação Lauro Campos

  14. Johne303

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  15. É NECESSÁRIO QUERER PARA PARA OUVIR, QUEM PRECISA SER OUVIDO. PERDER (GANHAR) TEMPO PARA OUVIR HISTÓRIAS, E ABRAÇAR AS CAUSAS! AMAR, CUIDAR E LUTAR POR ELAS! Ótimo texto!

  16. Anónimo

    Falando na moral, sua poética é bonita, mas carente de muita lapidação. Sua experiência, lastimável, eu sinto muito por isso. Mas gostaria de indicar-lhe duas autoras que darão conta de aumentar o seu conhecimento de causa: Chimamanda Ngozi Adchie, nigeriana, escritora e feminista voraz; Simone d’Bouvoir, pioneira do feminismo na academia; ambas lhe esclarecerão contra quem lutamos nessa causa em específico, porém os princípios sustentadores desta, quando apreendidos, não deixam de te atrair para outras lutas por igualdade, equidade e liberdade. E sobre as discussões ácidas nos comentários, leve com leveza e racionalidade 😉

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