Elogio à Baderna – singrando ruas e pixando utopias.

‘As coisas não caem do céu.’

As ruas de Brasília, de São Paulo e de diversas outras cidades atestaram, nos últimos dias, o inequívoco: utopias constroem-se com a população em marcha; com ruas e vias cheias de pernas intranquilas e irriquietas. Baderna construída conjuntamente – profusão. Exuberância de sonhos e ideais erigidos concretamente e a partir da ocupação do espaço público – confusão dos interditos. Manifestações se alastraram como faísca. Ateou-se fogo onde antes havia silêncios. De norte a sul do país, o ‘Mundo de Estátuas’ que nos constitui, que nos integra ao segregar, viu várias de suas colunas centrais ruírem.  Novos horizontes surgiram em cartazes, pinturas, textos, práticas – cirandas. As lutas dos últimos dias são a luta contra os compartimentos, contra os lugares-devidos, contra a cidade dominadora – ruas que definem a direção do movimento.  IMG_1396

A eclosão dos protestos que presenciamos – participamos – vai bastante além dos 20 centavos de aumento no preço da passagem. É a população questionando um modelo de transporte público falido, no qual a mobilidade urbana – um direito de todas e todos, diga-se de passagem – ocupa a posição de mercadoria e não de garantia. São cidadãs e cidadãos que cansaram-se da posição de espectadores e agora alçam a posição de agentes. Agentes que deixam suas timelines do Facebook e fazem das ruas seu espaço de ação – fazendo ecoar um grito de indignação onde antes apenas ouvia-se murmúrios de descontentamento. Deixou-se de lado o silêncio – eloquente – de resignação. Agora ataca-se, retumbante, com grito forte e entoante. Canções de protesto, coro de gente que, sufocada por anos de apatia perniciosa, respira e aspira mudanças radicais. Os protestos não são eventos isolados; são evidências da insatisfação popular frente à obliteração de pautas políticas que presenciamos no Brasil. A luta da outra/outro, antes invisibilizado, também é nossa. O Elogio à Baderna, à bagunça, à desordem, é, primordialmente, um apelo à uma nova concepção de ‘Patrimônio Público’. Nossos patrimônios mais valiosos choram e sentem dor – possuem rostos. É de povo que uma democracia precisa – não de monumentos.

Nos próximos dias, o PET-Direito da Universidade de Brasília apresentará uma série de expressões – textos, imagens, músicas; vivências – em defesa da Baderna [da democracia radical e participativa. ‘Elogio à Baderna’ é uma série de reflexões do grupo acerca de sua própria atuação – sendo a ação indispensável. Regados à suor de marcha, os textos abordarão questões que tangenciam todo o processo que vem se desencadeando nos últimos dias. Acompanhem o blog nos próximos dias, e espalhem as cartas-bomba aqui postuladas. A guerrilha poética inicia-se – não fecha – pelo aviso assoviado por milhares de manifestantes nas ruas estrábicas de Brasília:

‘As coisas não caem do céu.’

 

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