*Memento mori

Versos sôfregos
Claudicantes
Ânsia de vômito e dor esculpida palavra à palavra
Versos tortos
Epítetos lancinantes e usurpadores
mortos no hálito acre da boca que o declama,
inaudíveis à vida que foge.
Versos putrefatos
Tempestades em copo d’água
D’almas opacas e oprimidas
A Poesia estatela-se, suicida, em suas próprias farsas – muitas.

O canto reluzente,
os querubins os amores as intrigas,
o encanto dos mundos passados – e o Oriente
os príncipes dinamarqueses,
os olhos cerrados de Iracema e as flores amarelas e medrosas e também o poeta
tudo tudo, exceto o próprio verso, é inventado.

O poema é o sucedâneo
Dos que choram e dos que morrem.

*[“Lembra-te, homem, que hás de morrer.”]

 

Por Edson J. D. de Sousa

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