Presente, mas não necessariamente

Por Juliana Thomazini   

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Os avanços nos meios de comunicação nos aproximam de pessoas distantes. A vantagem que era sempre mencionada quando aprendíamos sobre globalização no colégio – maior facilidade de relacionamento entre pessoas de lugares distantes entre si.

Carta, telegrama, telefone. O que começou como uma forma de facilitar e agilizar o contato entre pessoas, fomentando atividades como o comércio e o intercâmbio de informações. Celular, internet, facebook. Hoje quase escraviza muitas pessoas que não conseguem passar algumas horas sequer sem ter acesso a esses dispositivos de comunicação. Não entenda mal, considero positiva a possibilidade de fazer amizades e manter outras que sofreriam com a distância por meio da internet. Ela também é um veículo interessante para contatos de trabalho, acadêmicos, e permite que se atinja pessoas antes inimagináveis pela dificuldade de serem acessadas. Mas me incomoda muito que esses meios de comunicação substituam em certos momentos as relações presenciais.

É claro que nem sempre é possível, ou necessário, que se esteja frente a frente com alguém para se atingir o objetivo de um contato. O celular facilita certas interações e permite que as mais diversas situações sejam solucionadas de forma rápida e eficiente. Algumas decisões precisam desse imediatismo e se aproveitam dele. Mas estar sempre disponível, a qualquer tempo, em qualquer lugar, é algo que incomoda a muitas pessoas (acredito) ou pelo menos a mim. Foi-se o tempo em que, para estar isolado do mundo e esquecer os problemas, bastava tirar férias, ou uma folguinha que fosse, e ir para o sítio. Tirar o relógio, esquecer do tempo e não ter hora pra nada. Sem problemas, sem correria, sem ligações inoportunas.

O problema é quando esses meios de comunicação substituem o contato humano real. No facebook é uma pessoa incrível, extrovertida, divertida, com milhões de amizades. Mas no mundo real não sabe se relacionar com quem está a sua volta, então se refugia novamente atrás de um computador, onde parece mais feliz, na sua zona de conforto. Esses relacionamentos não permitem um grau de intimidade que se obtém num cotidiano compartilhado lado a lado. Criamos relações, muitas vezes, superficiais e passageiras, muito fáceis de serem excluídas da nossa vida com simples cliques de um mouse.

04Mesmo que nem sempre estar ao lado de alguém signifique estar junto, ainda acredito que seja mais fácil perceber isso num contato presencial do que por meio de um celular ou pela internet. Expressões faciais, tom de voz, linguagem corporal. Tudo aquilo que nos ajuda a interpretar o que nosso interlocutor diz é eliminado, e substituído por emoticons e risadas esquisitas num SMS ou por inbox. Acredito nos meios de comunicação como facilitadores das relações sociais, mas a partir do momento em que as substituem, geram um sério problema para a construção de relacionamentos verdadeiros entre as pessoas.

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