A cultura da ação-pós-reação

Por Luma Marques   

Estava hoje pensando sobre o que escrever para o blog, com medo que resultasse em alguma coisa abaixo do selo de qualidade petiano. No início, pensei em falar sobre o cuidado repentino do outro, sobre como milhões se comovem e  agem em prol do próximo nos momentos chocantes que são televisionados, mas como são frios e inertes nos casos  fatídicos do dia-a-dia, naquele esquema do “não tenho nada a ver com isso”.

Contudo, resolvi mudar de tema. Acho que esse – apesar de não ser tão tocante – serve, também, para uma reflexão.

Acho incrível a política brasileira de ação-pós-reação. Refiro-me aqui a cotidiana maneira de só reagir em relação a  algum caso grave após este dito caso acontecer. Não que este tema seja relacionado apenas ao incêndio da boate em  Santa Maria, também o é, mas também é possível citar diversos outros. Começo primeiramente, relembrando os  deslizamentos na região serrana carioca. Acontecem todos os anos, estamos carecas de ver notícias do tipo no verão  chuvoso e então mesmo assim, sempre há aquela notícia de implementação de políticas que irão “salvar” as pessoas que  sofreram com a situação adversa. Realço aqui, a tragédia do ano de 2011, ano em que morreram 911 pessoas, porém, só  depois disso é que medidas como a instalação de alarmes, realocação das famílias foram feitas, medidas mínimas de  prevenção e acho até meio óbvias para uma região serrana.

Outro caso mais recente, como já foi citado, é o de Santa Maria. É muito triste o que aconteceu com aqueles jovens, foi  realmente uma câmara de gás ao estilo nazista. Mas, saindo dessa parte de quem é o culpado ou não pelo incêndio,  podemos nos perguntar: “Poxa, cadê a fiscalização nessa boate? ’’ Ela teve seu interior reformado e alterado, nada  mencionado a nenhuma autoridade – supostamente responsável – pela fiscalização e continuou funcionando normalmente até acontecer a catástrofe. O que mais revolta é que o incêndio acontece ontem e amanhã estão no Brasil inteiro fazendo uma “varredura” fiscalizadora nas boates. Só aqui em Brasília foram quatro boates que nem licença de  funcionamento tinham[1], sendo que são super conhecidas e quistas como as melhores para baladas noturnas.

Três delas estão no Gilberto Salomão – o espaço comercial mais conhecido de Brasília – e ninguém fazia ideia que elas  não tinham licença?! Isso só pode ser prova da falta de comprometimento e a corrupção que está na cara de todos, mas  isso é um tema para um próximo capítulo.

O que quero reiterar é esse costume horroroso que se tem de só agir após as catástrofes, após as mortes acontecerem.  Outro exemplo é a tal da comanda. Após o ocorrido no Rio Grande do Sul, começou-se uma discussão a respeito do fim  da comanda nos bares, boates e restaurantes, por atrapalharem a saída das pessoas dos locais em caso de perigo tal qual como foi na Boate Kiss. A vereadora Séfora Mota (PRB) protocolou na Câmara da capital do Rio de Janeiro, um projeto  de lei que proibiria o uso de tal objeto[2], para tentar evitar o que aconteceu.

É com essa reação retardatária que se mantém o costume de chorar pelas vítimas para depois prevenir. É preciso mudar isso, que se finde tal costume e que se lute contra essa corrupção e conluio que fazem com se reafirme a conduta.

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