Por Guilherme Crespo.

Esse é um texto curto e um quase-relato pessoal.

Nos encontramos por volta das duas e meia da tarde, como sempre. Como em outras vezes, tínhamos pessoas novas. Mas dessa vez era diferente. Passamos um mês planejando e trabalhando para que esse momento fosse diferente. E seria diferente. Pela primeira vez desde que passamos a efetivamente tocar tudo por nossa conta, praticamente nada estava sob nosso controle. Eu estava ansioso e empolgado.

Chegamos às três da tarde, mas as coisas acabaram atrasando um pouco. Só saímos de lá quase sete da noite, depois de torta, bolo, muita dança. Foi maravilhoso!

Bom, entre o chegar e sair de lá, muita coisa aconteceu. Estou adiando contar esses momentos; talvez nem os conte. Acho que tem a ver com as palavras. Reconheço sua força, mas acho que elas sempre deixam algo para trás. Principalmente as escritas. É como olhar um quadro por fora e descrê-lo ao invés de estar dentro dele, vivendo. Eu me sinto vivo, lá.

“Não fale mal de onde eu moro”. “Ah, mas eu odeio esse lugar”. “Eu nem quero falar disso, acho chato”. “Vamos parar de brigar, por favor!”. “EI, PERA AÍ! E VOCÊ, O QUE ACHA?”. O que você, que nunca pisou aqui, o que acha? Seja lá qual for a sua resposta, queremos mostrar que aqui pode ser bom. É bom. E muito mais.

“Ponham as vendas e dancem”. “Não parem”. “Permaneçam focadas e focados”. “Aprendam a confiar”. “Nós dependemos uns/mas dos/as outros/as”. “Estamos ligadas/os por uma corda imaginária que se desenrola e leva a cada pessoa”. Somos um grupo. E o grupo depende de cada um/a ser o que é, e respeitar e ter afeto por cada outra pessoa ali.

No último sábado, aconteceu uma das etapas de seleção para novas/os integrantes do PET. A atividade consistia na visita a uma das oficinas, que acontecem todo sábado, que o PET desenvolve na Cidade Estrutural. Eu faço parte há pouco mais de um ano da oficina de teatro e do PET e, pela primeira vez, as/os participantes da oficina, moradoras e moradores da Estrutural, montaram por sua conta uma oficina para oferecer às pessoas novas que foram conhecer e que, possivelmente, passarão a frequentar aquele local.

Enquanto eu escrevia esse texto me dei conta de uma coisa. Eu falei que quase nada estava sob nosso controle. Nada estava mesmo, nunca esteve. E sempre esteve. A oficina que elas/es fizeram era nossa também. Assim como as outras que realizamos eram também delas/es. As coisas que planejamos só ganham conteúdo e sentimento quando são vivenciadas, experienciadas. E sempre fizemos isso juntas e juntos, lá. Talvez tenhamos responsabilidades diferentes enquanto estudantes da UnB e elas/es enquanto moradoras/es da Estrutural. Mas sinto que quando estamos todas e todos naquele espaço de compartilhamento e diálogo, essa divisão quase perde o sentido. Eu me sinto feliz de fazer parte desse grupo.

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