Londres 2012: A Olimpíada das Mulheres

Por Ana Paula Duque e Luisa Hedler

ImagemConclamados por alguns jornais como “Olimpíadas da mulher”, os jogos olímpicos de Londres em 2012 se tornaram um marco. Cento e dezesseis anos após a primeira edição dos jogos da era moderna [1], em que só era permitida a participação de homens, as olimpíadas de Londres surpreenderam ao serem os primeiros jogos em que todas as delegações enviaram atletas mulheres.

Se tal fato representa uma enorme conquista por todo o simbolismo que carrega, deixando muito claro para todas as pessoas o fato de que nós, mulheres, somos igualmente capazes e temos o direito de participar de todo e qualquer espaço público que desejemos, para outros tantos isso passa despercebido. Para estes, o maior número de mulheres nas olimpíadas assume diversas outras significações que não a crescente autonomia feminina e necessidade de reconhecê-la.

São essas as pessoas que pensam em mulheres tenistas não como atletas que jogam tênis, mas como corpos em saias curtas. São as mesmas pessoas que assistem ao vôlei de praia pelas roupas Imagemjustíssimas, e não pelo prazer do esporte. Nadadoras, ginastas? Longe disso, apenas maiôs em corpos malhados, padrões de um ideal de beleza vendido como única forma de alcançar a felicidade, sucesso ou a aceitação social.

Se as Olimpíadas de 2012 inovam pela presença massiva de atletas mulheres, não surpreende em nada pela cobertura da mídia a qual se viu sujeita. Mais uma vez, para os jornais e tabloides: antes de tenistas, corpos. Antes de jogadoras de futebol, corpos. Antes de nadadoras, corpos. Antes de qualquer modalidade atlética, corpos: disponíveis para serem admirados e elogiados, ou menosprezados e achincalhados. Objetos, passíveis de classificação em “musas” ou “másculas”. De novo, e constantemente, vendidas em jornais como pedaços indistintos, em fotos que focam ora seios, ora bundas, ora coxas. Despedaçadas. Desmembradas enquanto sujeitos e objetificadas pela mídia de massa.

Essa objetificação, além de ser um veneno cultural pelas construções de narrativas sobre a função da mulher na sociedade para as milhões de mulheres, meninas (e também os homens) que assistem, se colocam como um obstáculo visível e extremamente danoso às próprias mulheres esportistas. Muitas vezes forçadas a usarem uniformes mais colados ao corpo e reveladores pelas respectivas federações para “dar mais ibope”, as atletas que tem um corpo não conformado aos padrões de beleza encontram enormes dificuldades em obter patrocínio, ou qualquer tipo de incentivo para sua profissão. Aparentemente, ter o seu corpo como uma ferramenta para atingir metas incríveis (que não sejam passar fome para ter um corpo magro) não é algo desejável para a nossa sociedade. É só assim que conseguimos explicar porquê das seleções do Japão de futebol masculino e feminino – que são, respectivamente, número 20 e número 3 no mundo – viajaram separados para Londres – os homens na classe executiva, enquanto as medalhistas de prata vieram na classe econômica.

Mesmo assim, com todos os percalços, dificuldades e, principalmente, discriminação, as mulheres estão Imagemlá, já vitoriosas pelo próprio fato de conseguirem chegar nas Olimpíadas. Com a notoriedade que ganham, são novos exemplos de mulheres que trabalham seus corpos de formas diferentes das tradicionais, sem deixar preocupações estéticas impedi-las em seus objetivos; como tantas mulheres o fazem nos mais diferentes campos, são também desbravadoras de espaços que anteriormente eram reservados apenas para homens. Mostram força, destreza, agilidade e determinação – se mostram, enfim, como sujeitos de seus corpos, vidas e ações, sem se contentarem com o papel tradicionalmente definido para as mulheres de serem apenas olhadas.

ImagemTalvez seja por isso que haja tantas pessoas querendo objetificar, classificar e reprovar os corpos dessas mulheres: porque elas não se conformam em serem objetos submissos, preocupadas, como tal, em  manter uma aparência agradável para os outros. A mesma coisa acontece a mulheres em qualquer outro tipo de posição de poder – seja economicamente, seja na política, ou outro tipo de proeminência na sociedade: ao invés de terem analisados suas ações como pessoas públicas, são sempre os seus corpos ou suas roupas em evidência: um ranço machista de simplesmente não conseguir olhar para uma mulher como um sujeito pleno, que se coloca nos espaços para agir, e não só para ser observada.

A resposta a isso vem dos lábios de uma halterofilista inglesa, quando questionada sobre seu corpo ser “muito musculoso e anti-feminino” – “Não levantamos peso para ficarmos gostosas, principalmente para os gostos de caras dessa laia. O que os faz pensar que nós sequer queremos que eles nos achem atraentes? Se você acha, muito obrigada, estamos lisonjeadas. Mas se você não acha, por que você Imagemprecisa dar sua opinião em primeiro lugar, e o que faz com que você pense que nós damos a mínima que você, pessoalmente, não nos acha atraentes? O que vc quer que façamos? Devemos parar de levantar peso, mudar nossa dieta para nos livrar dos nossos músculos ‘masculinos’, e nos tornar donas de casa na esperança que um dia você nos veja favoravelmente e nós possamos ter uma chance com você? Porque vc é claramente o homem mais gentil e mais atraente a engrandecer a Terra com a sua presença”

Frente a tudo que as 4620 atletas mulheres presentes nas Olimpíadas nos ensinaram, o que fica como lembrança dos jogos de 2012 é que sim, essa de fato foi a Olimpíada das Mulheres: que mais do que “desfilar” ou “embelezar” ambientes, lutam, sonham, e vencem.

 Imagem
[1] Que ocorreram em 1886, em Atenas.

27 thoughts on “Londres 2012: A Olimpíada das Mulheres

  1. “[…]Muitas vezes forçadas a usarem uniformes mais colados ao corpo e reveladores pelas respectivas federações para “dar mais ibope”, as atletas que tem um corpo não conformado aos padrões de beleza encontram enormes dificuldades em obter patrocínio, ou qualquer tipo de incentivo para sua profissão. […]”.
    Certamente há uma apelo erótico em algumas fotos; tanto de homens como também mulheres! No atletismo masculino, é escancarado o apelo de alguns fotógrafos(as) pelo belo escultural dos atletas.
    Bom, para efeito de informação, a exposição de corpos atléticos é milenar, portanto nada tem com ser machista ou tarado ou tarada (nessa versão xaropeta do séc. XXI).
    Quanto ao texto copiado acima, é totalmente descabida essa informação (falo como ex-atleta). A questão da roupa sempre foi escolhida tendo como foco o desempenho do atleta e NUNCA foi uma determinação das federações. Isso é uma bobagem baseada em preconceito de pessoas que não sabem o que falar e querem aparecer falando asneiras. (de asno mesmo!)
    Parabéns para as mulheres que deram seu tempo para treinar e ganhar um lugar no podium dos campeões. Para aquelas que se ocuparam com seus traumas ou a busca da salvação da humanidade, procurem olhar para essas atletas maravilhosas que optaram por fazer algo positivo para a nação, e para elas mesmas, e sigam seus exemplos. Se não tiver condições de ser atleta seja uma mãe adotiva de um ser humano, assim você vai ter muito com o que se preocupar.

    • Rogério, antes de ser tão categórico em afirmar que os esportes e a política das federações estão tão descoladas do resto das relações sociais, dê uma olhada nisso: http://olimpiadas.uol.com.br/noticias/redacao/2012/07/26/pressao-por-biquinis-abre-polemica-e-pontua-expectativa-pelo-volei-de-praia-em-londres.htm
      Com relação ao vôlei de praia, especificamente, por que então homens não usam sungas e jogam sem camisa?
      Ademais, é curioso você falar “preconceito” e “pessoas que não sabem o que falar e querem aparecer falando asneiras. (de asno mesmo!)” na mesma frase. Deu tilt aqui!
      E, no mais, não tente hierarquizar os papeis que cada um/a escolhe para desempenhar na sociedade. Eu conheço bem as autoras do texto e sei muito bem que as formulações teóricas e sua vivência prática/cotidiana não são simplesmente para se ocupar de traumas pessoais. Além disso, na minha opinião, lutar contra a objetificação da mulher no esporte é sim fazer algo positivo para a “nação” e também para o mundo (e para o esporte, não tenha dúvida!).

      • Guilherme, não encontrei no link nenhuma determinação das Federações para usar roupas provocantes. Pelo contrário, na matéria, as federações oferecem outros trajes para as atletas que se sintam constrangidas por força religiosa ou cultural. Com relação à frase “não sabem o que falar e querem aparecer falando”, concordo com você que não fui claro o suficiente para você entender o “jogo de palavras”… Mas deixa pra lá! Quanto ao exemplo do vôlei de praia, eu poderia citar várias outras modalidades, além do atletismo, onde não cabe criar fantasmas perseguidores machistas por causa de um traje. Penso, e até sugiro, fazer uma enquete com os atletas sobre tal assunto; ou seja, perguntando para eles e elas o que acham dos seus trajes. E se existe mesmo uma obrigação vinda das Federações para usar tal modelitos sensuais. Daí sim, seria um “furo” a matéria. Do contrário, é falácia.

  2. Guilherme, já parou para pensar que quem assiste aos jogos de vôlei de praia feminino para ver as mulheres não dá a mínima para o que está acontecendo no jogo ou se as mulheres são boas ou não? Concordo com o Rogério. A mídia quer explorar isso simplesmente porque a beleza feminina vende muito mais que a masculina. Eles unem o útil ao agradável – nunca iriam colocar roupas nas mulheres que as atrapalhassem, ainda mais a nível de olimpíadas… Além da questão das japonesas… As autoras foram pesquisar se os homens tinham os mesmos patrocinadores das mulheres?
    E, sério, parem de vitimizar as mulheres. Tem mulher que gosta e muito de ser (muito) bem paga para ficar de biquini num programa de tv e dançando em frente a um auditório e nem por isso elas se sentem mal por serem “objetificadas”. A mídia quer uma coisa: vender. Se a maioria das pessoas que assistissem aos jogos de vôlei de praia realmente se interessassem pelo esporte, o uso de biquínis provavelmente nem seria cogitado.

    • Perceber que a mídia quer vender é uma coisa. Concordar com isso é outra. Boa parte disso passa inclusive pela mídia solta e concentrada que temos hoje.
      E não estou julgando as mulheres que acham bom ficar de bíquini e serem “objetificadas”. A Sabrina Sato já deu declarações de que não se importa muito com isso e acha até bom. Mas não tô analisando nenhum caso isolado de uma pessoa que gosta ou não de ser assim. O problema da exploração da imagem do corpo da mulher pela mídia é que ela cria um esteriótipo para inserção na própria sociedade (e de que forma se dá essa inserção), e quem está fora dele encontra dificuldades para participar de ‘n’ relações sociais. Além disso, reforçar a característica de objeto é um problema em si. Homens dispõem como querem de objetos quaisquer, se a mulher é um objeto sexual, essa correlação é quase imediata.
      E eu tenho dúvidas sobre essa maioria de pessoas que vão para ver mulheres de bíquini. Primeiro porque mulher de bíquini tem muito mais em qualquer praia e ainda é 0800. Segundo porque boa parte (imagino) do público seja de mulheres heterossexuais, que eu não sei se tem esse “fetiche”.

      • Nesse caso que você expõe, por que a mídia quereria então que elas usassem roupas “provocantes”? Para mulheres heterossexuais não se sentirem atraídas? Não faz muito sentido, né?

        No mais, é muito mais fácil e cômodo apertar o botão de ligar a TV do que se locomover até uma praia.

        E, meu caro, essa de ficar achando que isso é isso e isso é aquilo sem dar provas concretas já está mais que chato… Só tem mulher feia no atletismo brasileiro (na minha opinião e até onde eu sei) e isso não impediu que elas chegassem até onde estão. Falo da Daiane dos Santos, da Daniela Hipólito… Eu dei provas e nomes. Agora se você me der um nome de uma mulher que não foi aceita nas Olimpíadas por ser feia eu até te pago uma cerveja.

      • Um dos motivos pode ser o espaço que as reflexões de gênero têm na mídia e nas vidas de quem a controla. Zero.

        Marconi, o texto dá um monte de provas concretas (além disso, temos o caso da seleção feminina australiana de basquete, ou protesto das atletas de canoagem por não ter nenhuma prova feminina nessa modalidade). Você enxerga as “provas concretas” da maneira que quiser. Só que nem todo mundo gosta, isso incomoda muitas pessoas e isso violenta muitas pessoas. No mais, fatos e estatísticas não querem dizer nada até que nós os interpretemos. E eu tento fazer isso criticamente.

        Ah, e provavelmente eu não vou ter um nome pra isso que você disse e nem sei se existe um caso desses. Mas se você acha que encontrar isso é o que legitima o argumento do texto, não sei se lemos o mesmo texto e mesma construção argumentativa.

        Se indignar com que está posto é característica do feminismo e do PET. Não se trata de entender o que acontece, aceitar e dizer “bom, é assim mesmo”. A mudança é inevitável, mas ela não vem do nada não.

      • agora que fui ver, não é atletismo e sim ginástica olímpica… e minha generalização foi meio sem conhecimento, admito, mas os exemplos ficam como estão

    • tu e um menino criado a leite com pera mesmo, enfia esse seu discurso no cu
      homem, branco, classe média alta, vomitando privilégios, clap clap clap
      foda-se
      vai se masturbar vendo os jogos

      • Não esperava isso de você, Gabriela, e nem entendi a relação “vomitar privilégios” com meus argumentos. Depois eu que não sou o civilizado do grupo…

        Isso só mostra que o PET é um espaço fechado, doutrinário e uno. Podem até falar de Foucault, Habermas ou o que for, é sempre sobre o mesmo enfoque. Ai de ti se pensas contrário ao grupo.

        O diálogo foi esquecido já que o “feminismo” se tornou a verdade absoluta da UnB. Ficar escrevendo textos sobre feminismo e como as mulheres são maltratadas, ficar fazendo milhares de palestras sobre gênero e chamando apenas professores que concordam com o tema só ratifica um círculo fechado e atrai as mesmas pessoas que já concordam com o tema para os mesmos debates.

        Mas, Gabriela, como você mesmo disse: “foda-se”.

      • Ta aí…essa é a UnB. E estão promovendo o encontro babação-de-ovo com o papa desses idiotas, Roberto Aguiar, que pensa(?) que todos que não pensam como ele como são insensíveis à realidade e retrógrados. Isso fica para outro espaço.

  3. “Se não tiver condições de ser atleta seja uma mãe adotiva de um ser humano, assim você vai ter muito com o que se preocupar”. Porque o “se preocupar” de uma mulher é criar um filho. Acho massa essa galera que diz que não existem efeitos sistêmicos de uma cultura opressora e que na primeira oportunidade ratifica o argumento contrário. Patéticos.

      • E por que a responsabilidade de uma mulher tem que ser “criar um filho”? por que ele usou justamente esse exemplo para falar de responsabilidade da mulher? nenhuma implicação do mundo nosso que atribui certas funções a certos grupos de pessoas, limitando suas livres escolhas?

      • Caraca!! Marconi, obrigado! não quero nem experimentar o ambiente desse PET; e muito menos contracenar com PETiana nervosa😉. Boa sorte procê nesse meio hehehehe!

      • Olá, Rogério. Tenho mais de um ano e meio de PET-Dir e nunca presenciei uma discussão como esta, de modo que, se o comentário de anonimx foi inaceitável, também é essa generalização do petiano Marconi. Não acho o grupo fechado às suas opiniões como ele supôs e se for necessária uma prova disso, basta ver que ele é o top commenter do blog e um dos que mais tem textos publicados. Fica o convite para nos conhecer melhor.
        abraço!

      • Buenos dias, Rafaprisma!🙂 Eu não tenho dúvidas que existam participantes que conseguem conter seus xiliques e cooperam para uma boa discussão. No entanto, algumas ideias são defendidas tão romanticamente e apaixonadamente que levam a coerência do discurso sob os pés; consequentemente, acabam afastando quem gostaria de participar. Além disso sempre terá aquele que não consegue entender (ou não nos fazemos entender?) o que escrevemos – escrever é uma arte, entender mais ainda! Exemplo disso é essa guria que não compreendeu quando eu falei sobre “se preocupar sendo mãe de um ser humano”. Por trás disso tem uma centena de fatos do cotidiano brasileiro que não consigo expo-los todos aqui. Basta apenas refletir no que leu. E não tem nada com “efeito sistêmico de uma cultura opressora”! Isso é uma baita de uma viagem para a lua! E que eu não consigo acompanhar. Abração e valeu pelo convite😉

  4. Estava realizando uma pesquisa sobre as difuculdades femininas de se inserir no contexto olímpico. Não sou feminista, nem extremista, mas entendi o quão difícil foi para este sexo que de frágil não tem nada. Assim como ganhar espaço na sociedade, conquistar os esportes não foi tarefa fácil. Foram lutas atrás de lutas para, em mais de 100 anos, conseguir uma conquista que ainda é muito simplória dada a dimensão da coisa. Enfim.. durante a pesquisa, encontrei textos que iam na contramão dessas conquistas. Publicações que não refletiam a capacidade das mulheres de superação, que apenas acentuavam as curvas desta ou daquela, que elegia a mais gostosa, que as apresentava como meros pedaços de carne. Me deparei com a sua publicação e encontrei nele EXATAMENTE o que estava, aos poucos, ficando intalado aqui comigo. Depois de tanta dificuldade, não é justo que até no ambito esportivo ( onde o esforço, a disciplina e o trabalho falam mais alto), tenhamos que nos deparar com essa falta de respeito. Porque é isso que é. É a ausência do respeito que a mulher demorou tanto pra conseguir. Parabéns pelo texto, pela atitude e pela consciência.

  5. I do consider all the concepts you have presented to your post. They are very convincing and will certainly work. Nonetheless, the posts are too brief for beginners. Could you please extend them a bit from subsequent time? Thank you for the post.

  6. minha mulher uma vez me disse: -machismo mata!!
    resolvemos essa questão com minha observação:
    -fome tambem. volte para a cozinha e faça sanduiches.

  7. Bem, e se a pessoa, como eu, não gostar de esporte algum. Odeio esporte. Agora gosto de admirar um corpo feminino. Logo, se ligo a TV e me deparo com uma jovem de maiô colado… Logo, o que me resta é mesmo admirar seu corpo. Sou machista por isso, senhoras da razão absoluta? Nossa, o feminismo do século XXI se apequenou mesmo hein!

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