Quando o óbvio precisa ser dito

“Essas feministas são muito radicais… e na UnB não se pode falar nada que você é machista”. É o que ouço reiteradamente em muitos espaços da UnB. Comparar pejorativamente feminismo com radicalismo é uma prática tão comum quanto preconceituosa. A luta feminista não é coisa bizarra que brota na UnB para patrulhar os chamados politicamente incorretos (utilizo a expressão, pois muitas/os a ostentam com certo orgulho), mas é um processo histórico, uma construção, uma luta de décadas por igualdade. Sim, igualdade. Igualdade que algumas pessoas defendem que já foi alcançada, simplesmente porque em termos formais ela já é reconhecida e, afinal, muita coisa já melhorou, certo? ‘O que essas mulheres querem mais?’ Essa é outra reprodução comum de que mudanças estruturais na sociedade ocorrem como um movimento natural, e apenas as lutas do passado fazem sentido. ‘Já passamos por algo muito pior, por que se preocupar com isso agora?’ E as novas lutas são tratadas como sem sentido ou saudosistas de um passado que não se viveu. Não tenho referências sobre isso, mas essa deslegitimação das lutas do presente por seus/suas contemporâneos/as, pelo fato de que já se conquistaram avanços quando a “barra tava mesmo pesada”, parece algo que qualquer geração acaba passando, invariavelmente. Infelizmente.

Mais peculiar é o curioso fenômeno daqueles/as que se sentem tolhidos na sua liberdade de expressão por movimentos de afirmação de direitos das mulheres e visibilização da violação desses direitos. Numa sociedade em que o discurso hegemônico, machista e heteronormativo, encontra aporte na grande maioria e ocupa e domina os mais diversos espaços de poder (senão todos) e, com efeito, garante voz e publicidade em grande escala (e com isso, uma grande legitimação), e que, além de tudo é naturalizado e não refletido, soa como desonestidade, cinismo ou, talvez, ingenuidade, afirmar que seu discurso antifeminista é censurado. A Universidade é um lugar (certamente, não o único, nem mais importante) de debate crítico acerca de questões de gênero e de discussão em nível simbólico (sem prejuízo das demais violências) sobre a violência que as mulheres sofrem por conta de serem mulheres. Como se não bastasse a limitação de espaços de visibilidade do movimento, ainda é taxado como uma ditadura do politicamente correto. É um processo diário de depreciação, descaracterização, deslegitimação e estigmatização do movimento feminista (e, infelizmente, de grande parte dos movimentos de luta por direitos e igualdade). O argumento do politicamente correto é usado para manter um status quo, frear a mudança, tornar as lutas por direitos uma piada de mau gosto. Em última instância para manter-se os privilégios discursivos e práticos daqueles/as que se beneficiam da situação atual.

Ademais, a luta feminista se refere muito mais a uma estrutura social que se sustenta sobre bases machistas, e sua reprodução em âmbitos políticos, culturais, profissionais, domésticos etc, que acaba por violentar mulheres, do que a um ataque pessoal a quem não concorda. Todas e todos nós reproduzimos discursos e práticas machistas (em alguma medida), somos frutos de uma criação e de interações que desigualam negativamente as mulheres. E é por isso que a (auto)crítica é um imperativo. O feminismo é uma transformação de si para si, de si para outros, de si com o mundo. Para mim, ouvir que o feminismo é radicalismo sem conteúdo, uma luta vazia (que é um argumento que provavelmente é repetido desde que as lutas feministas surgiram), é uma desqualificação de um processo que não é uma invenção dessas “feministas chatas” da UnB, mas a continuidade de um processo de luta que não terminou. Mais: é a desconsideração da diferença como condição que nos iguala e, portanto, não pode ser hierarquizada. É a obstaculização do conflito, da mudança, e daquilo que a provoca: a luta. As conquistas não são obra de uma coisa invisível que vai melhorando as coisas, mas provêm de lutas, de enfrentamentos contra a ordem dominante que se impõe e tenta estabilizar, padronizar, parar o tempo e manter estruturas de poder características. O feminismo é radical, não por ser uma ideia esquizofrênica e vazia, mas porque combate aquilo que mais naturalizamos, uma separação desigual entre homens e mulheres. Igualar é dizer que homens e mulheres são iguais em possibilidades, em escolha de projetos de vida, em condições para realizar esses projetos, em assumir os papeis sociais que desejam, em não ter que conviver com e combater tantos signos que estigmatizam, em não sofrerem violências ao longo desse processo. O feminismo sim é censurado, estigmatizado, mal-interpretado. Simplesmente por ser “a ideia radical de que homens são iguais a mulheres”.

Por Guilherme Crespo

P.S.: Curtiu as imagens do texto? Elas são de uma campanha promovida pela organização da Marcha das Vadias-DF, como forma de divulgação (e de reflexão!) da próxima Marcha das Vadias que vai acontecer em Brasília no próximo dia 26.

10 thoughts on “Quando o óbvio precisa ser dito

  1. Sinceramente, eu já disse algumas das frases reproduzidas no início do texto.
    Na verdade, vai se tornando mais comum que essas frases sejam ditas se o movimento feminista realiza ações publicitárias como essa pondo em igual patamar pleitos justos e dignos da história do movimento (como o da segunda imagem), pleitos equivocados, como o da primeira imagem (querem agregar um desvalor, querem poder fazer o que os homens fazem e não deviam), e pleitos totalmente radicais, pelomenos pra quem vê de fora.

    Não acho que a luta das mulheres tenha acabado. Mas o movimento feminista vem adotando a postura de uma força unilateral, que defende um pretenso direito feminino mesmo quando ele é totalmente discutível.

    Um movimento feminista deveria abrir a discussão a respeito do que as mulheres querem ser e representar na sociedade, não reproduzir uma cartilha política. E é isso que o movimento tem feito. Sendo uma força política, é natural que haja críticos. E nem todos são machistas arrogantes ou ignorantes.

  2. A vontade de representação é por si só uma pauta política; ser político ou política é assumir posicionamentos. As mulheres tem autonomia pare se auto organizarem e escolherem o que querem ser e representar na sociedade. O simples fato de levantar essas bandeiras já é colocar no espaço público a possibilidade de discussão, afinal a luta por igualdade que elas realizam não é(ou não deveria ser) invisível. Não consigo perceber como alguém que é contra a ideia de feminismo não carrega consigo alguma dose de machismo. Eles podem não ser arrogantes, mas são ignorantes na medida em que desconhecem na mulher um igual. E a pauta feminista, pela própria história do movimento, é ampla; uma pauta que abrange diversos direitos e lutas, inclusive buscando demonstrar o moralismo que existe na definição dos padrões de sexualidades aos quais os indivíduos são submetidos, como aquele da primeira imagem; o que ela querem é que cada qual tenha o domínio da sua personalidade e individualidade, combatendo a restrição que padrões machistas impõem sobre a sociedade de forma hegemônica e unilateral. Eu, particularmente, não consigo ver onde tal pretensão é discutível.

    Parabéns, Crespo. O texto tá excelente, tocando em pontos cruciais de um discurso que se pretende inocente e vítima diante do feminismo, quando não é.

  3. É legítimo a fala do primeiro colega acima. Pensar num projeto de mulher, uma discussao de qual arquetipo representar na sociedade. Feminismo deve ocupar-se com isso. A primeira vista, o primeiro poster publicitário soa arrepiante. Propor que homem e mulher tenham o mesmo comportamento sexual, com base na métrica do número. Sociedade nenhuma iria funcionar assim!! logo iriam todos sentir a falta da dificuldade de conquistar o sexo oposto e virariamos todos homosexuais, conquistar o mesmo sexo é que passaria a ser desafiante. Delírio. Claramente é uma interpretação tão delirante quanto prever que o primeiro poster publicitário prega depreciação de um valor. Aliais, qual valor? poderiamos optar pelas respostas (a) evolução da sociedade com base na seleção Darwiana da critériosa mulher (b) valor da mulher no mercado matrimonial (c) formação psicológica do individuo como um valor a ser ganho na privação sexual (falsa verdade, pois é a relação sexual-afetiva que espelha melhor o crescimento pisicológico ). Há, portanto, apenas delírio tentar prever o comportamento humano.

    O que de efeito o movimento feminista trás é o PAVOR. O pavor do indivíduo agressor (físico e/ou moral) de ver a sua imagem desumana refletida no movimento feminista. O pavor, do homem-companheiro (sonho de consumo de todas as mulheres, diga-se de passagem) ver como desproporcional e até como retribuição injusta sua “amada” gritar “sou vadia” em solidariedade ás demais mulheres. Pavor semelhante deve sentir o pai, o irmão,o tio, o educador etc. E acima de tudo, o pavor das próprias mulheres. Sim, é delas que partem a maior agressão moral, o de não pedir uma definição do que é ser vadia. Pois inevitavelmente, foram ou serão chamadas de vadias por critérios flutuantes que defendem tão somente o interesse do(a) agressor(a). Serão vadias por não apanharem caladas, por serem estupradas, por se maquiarem, pelo tipo da roupa que vestem, pela suscesso profissional/economico que alcançam, por terem experiências sexuais-afetivas diversas.

    Gritar “sou vadia” (de acordo com a proposta da “Macha das vadias”) é pedir essa definição. É um questionamento mais de grito de guerra do que por cunho de proposta. E, ao meu ver, o maior efeito é o alívio psicológico que essa mulheres sentem. Ao gritar “sou vadia” elas ridicularizam o adjetivo e colocam-se na posição de invensiveis pois sufocam a dor que sentem desse adjetivo SEM DEFINIÇÃO. Assim como Martin Luther King, elas tentam construir uma auto-estima. Escapam das flagelações psicológicas dos esteriotipos, da inversão da culpa e assim do papel de judas que lhes é imposto.

    Colega ai de cima, pai, irmão, tio, marido, amigo, elas estão a construir um arquetipo de mulher que irá transformar as relações de genêro nas próximas gerações. Basear-se-á certamente não numa relação de direito igual (ao voto, aos deveres aos orgamos) mas sim num direito que respeite de forma mais justa e humana as diferenças.

  4. Diego Nardi, Claro que o direito de ser ouvida foi e é uma pauta política. Mas ela não é a única que o movimento feminista levanta, é? É isso que critico, a adoção de uma cartilha política pelo movimento, uma cartilha que por acaso é comum a todos os movimentos sociais.O feminismo que eu idealizo é um ambiente de discussão a respeito dos valores que devem ser agregados, direitos que devem ser adquiridos, enfim, um espaço plural. O que se vê hoje é diferente: o movimento feminista diz que aborto é direito da mulher, pede que os movimentos sociais adotem a ideia, e em troca passam a fazer parte de partidos, realizar convênios e se associar com movimentos raciais ou homossexuais, por exemplo. Não sou reacionário, não sou contra direitos raciais ou homossexuais. Mas critico o posicionamento do movimento enquanto seguidor desta cartilha política.

    Minhas razões pessoais para discordar desta cartilha, Andressa Mota, têm a ver com esse valor que mencionei antes. Que se aproxima com o que vc colocou no item c) de sua fala. Com uma pequena ressalva: o valor de formação não está na PRIVAÇÃO sexual; está, sim numa vivência humanizada desta sexualidade. Considero uma vivência humanizada alguns ideais românticos antigos porque acho que viver a vida íntima sem limites morais nos aproxima dos animais. E é claro que isso é uma opinião minha e não interessa nesta discussão. Interessaria, sim, se o feminismo tivesse preocupações filosóficas a respeito do que deve ser a vivência de uma mulher livre. Mas essa discussão não existe, dá lugar a uma militância política menos interessante e menos construtiva. E é isto que critico.

    Por fim, João Pedro, seria um contra-senso mulheres pedindo por serviço militar obrigatório quando nem os homens o querem. O movimento feminista está aqui para conquistar direitos para as mulheres, não para onerá-las. Novamente, digo que o movimento feminista deve agregar valores. O fim do serviço militar obrigatório é, para mim, um valor a ser agregado. Mas, no caso, ele deveria pleiteado por um imaginário movimento do gênero masculino.

  5. Eu não vejo onde se enquadra essa barganha política que você menciona; talvez vocês esteja generalizando uma questão diante de todo o movimento. Direito ao aborto é uma pauta relevante do movimento feminista pois representa a efetivação da autonomia e liberdade pela qual elas lutam e associar-se com movimentos raciais ou homossexuais não representa nenhum contrassenso; são movimento que compartilham de ideais semelhantes em relação à liberdade e igualdade dos indivíduos, e ambos tiveram forte influência do movimento feminista em suas origens e exercem influência também. Associação partidária também é um direito de qualquer grupo organizado, é necessário lutar por políticas públicas de inclusão, pela visibilidade da questão no âmbito do poder estatal e em uma democracia partidária como a nossa é saudável que alguns grupos feministas busquem uma inserção mais política, e aqui uso política como sinônimo de política partidária; alguns grupos preferem ficar fora da política nesse sentido, mas ainda assim adotando uma postura política, afinal qualquer luta por mudanças sociais é uma luta política. As mulheres estão a décadas discutindo quais os valores e direitos elas querem ver agregados, e elas o fazem todos os dias, há demandas que já estão consolidadas, construídas ao longo da história do movimento.

  6. Mas não há pluralidade na discussão a respeito dos valores.

    Por exemplo, não há espaço para quem é contrário ao aborto no movimento. Ou para quem, como eu, não considera ideal uma situação em que a sexualidade seja totalmente ignorada na discussão da moralidade no comportamento.

    Isso se dá, na minha humilde opinião, porque uma opinião majoritária foi formada e construída como ideologia política. Uma ideologia política não dá espaço para discussão, ela tem necessidades próprias de efetivação no seio do Estado. Portanto, ao invés de receberem ideias como as minhas no movimento, é preferível taxar-me como machista e declarar uma guerra política ao meu modo de ver as coisas. É isso que se faz na política: disputa-se o poder, a razão, para que haja legitimidade na escolha de uma ideologia por parte do Estado.

    Critico porque o feminismo não deveria ser uma ideologia. Deveria ser um espaço aberto para compreender o que faz uma mulher ser livre. Neste aspecto, eu discordo veementemente da cartilha feminista. E começo discordando da primeira imagem, nos termos que já postei.

  7. Ser contrário ao aborto é por si só uma prática que não condiz com os anseios de liberdade e autonomia do movimento; perceba que o movimento defende a descriminalização, dando a cada mulher a possibilidade de decidir de forma livre a maneira como quer lidar com a questão. Em nenhum momento o movimento obriga as pessoas a abortarem, o que pede é uma postura neutra do Estado em relação ao tratamento penal do tema. É uma postura inclusiva, que possibilita que pessoas contrárias e favoráveis possam cada qual exercer dentro da sua individualidade essa decisão. O que não ocorre com aqueles que defendem a criminalização, o que significa impor uma visão unilateral que retira das mulheres sua liberdade. Você pode ser contra o aborto, e eu tenho certeza que nenhum feminista vai questionar seu posicionamento, é um direito seu ser contra, mas perceba que ser contra o aborto não é o mesmo que ser contra a descriminalização.

    Toda luta política é uma luta pelo poder, afinal são as relações de poder que definem padrões sociais e criam esterótipos, por exemplo. As mulheres lutam pelo poder, lutam para desnudar essas relações e lutam para que elas sejam modificadas, revolucionadas. E ideologia, no termo que você utiliza, pressupõe um conjunto de idéias pautadas em dogmas, e, sinceramente, no âmbito do feminismo só vejo um dogma: aquele segundo o qual as mulheres são iguais aos homens. O que a primeira imagem combatida por você mostra é justamente a luta por liberdade dela, a luta contra a dominação do poder por um padrão machista, que impõem uma moralidade desigual, quando, na realidade, o julgamento moral das ações é domínio privado dos indivíduos, o que envolve a autonomia para decidir com quantas e quais pessoas uma mulher que ficar, isso é a liberdade sexual dela e tal liberdade não deve estar condicionada aos padrões machistas da nossa sociedade. Nenhuma feminista vai combater uma mulher que acha errado homens e mulheres que ficam em uma mesma noite com mais de uma pessoa, perceba que há um equilíbrio no julgamento e isso é um julgamento moral dela; o que não se admite é que uma visão de moralidade seja imposta aos demais e que indivíduos com julgamentos próprios partam para ações que visem limitar a liberdade sexual dos indivíduos.

  8. Essa é a grande questão. Qual é o conceito de feminismo hoje? Segundo o amigo Diego, ser contra a descriminalização do aborto não condiz com os anseios de liberdade do movimento. No entanto, não se sabe quem definiu os anseios de liberdade do movimento no que diz respeito à específica pretensão da descriminalização. Será que, para parafrasear a campanha, questionar isso também não será feminismo?

    Eu gostaria muito de ser feminista. Admiro muito o movimento, as conquistas e concordo com todas elas. Eu próprio tenho minha cota de machismo, lá no fundo, inconsciente, imiscuido em manifestações culturais opressoras. E gostaria de aprender com o feminismo a questionar todas essas manifestações. Mas não posso.

    Não posso porque devo estar empenhado em criticar o movimento, rebater os argumentos a favor da descriminalização do aborto, observar as campanhas publicitárias feministas que possam ser interpretadas pelo público no sentido de abandonar certos valores…

    Acredito que haveria um grande benefício se as pessoas que convivem comigo nos ambientes de construção de um novo pensamento moral tivessem acesso aos ideais feministas. Mas elas não têm. Porque elas, como eu, discordam da atuação do próprio movimento feminista no debate político. E discordam, como eu, da definição majoritária de feminismo, como esta aqui construída.

    O resultado disto é que as mulheres, aqui, perto de mim, continuam com vergonha de declarar seu comportamento sexual, nos termos que o amigo diego criticou e eu também critico. E o feminismo não chega a elas. E os homens continuam sem saber como lidar com mulheres livres, e o feminismo não chega a eles. E as mulheres continuam sem saber o que significa ser verdadeiramente livre, ou se para isso elas devem abdicar da vida familiar em nome da vida profissional. E o feminismo não chega a elas. E elas continuam sem saber se para serem livres elas devem regulamentar o ciclo menstrual com remédios e evitar a TPM ou não. E o feminismo ainda não chega a elas.

    E se chegasse, o que diria? Uma fórmula pronta de valores e comportamentos livres? E depois vamos à luta contra a opressão? Para ser livre é preciso ser feminista? Feminista em qual definição?

    Será que preocupar-se com tudo isso não é ser feminista?

    E será que questionar essa fórmula pronta de liberdade não é ser feminista também?

    • A melhor definição que encontrei para feminismo foi “sentir-se incomodado(a) com o papel que a mulher cumpre dentro das relações de gênero e frente a sociedade” e note que escrevi “cumpre” pois se caso essa palavra fosse substituída por “escolhe” não haveria razões para sentir-se incomodo. E portanto, o feminismo estaria extinto. Pela sua fala, percebo que o colega em anonimato sente-se incomodado por supor que o comportamento sexual das mulheres com que convive é tolhido. Certamente, isso o torna feminista mesmo que não militante.

      Diferente do que foi dito, feminismo e femininidade não devem ser confundidos. A mulher tem liberdade para lidar com sua femininidade: escolhe pelo uso ou não de sutiãs, arbitra em como lidar com a TPM (uso da pirulas anticoncepcionais ou outros métodos mais naturais como fazer exercicios físico etc), escolhe entre os diversos tipos de absorventes, arbitra sobre o corte de cabelo, sobre o uso ou não de maquiagem etc. Quanto a sua femininidade, a mulher é livre. Vejo apenas uma possibilidade de ver a femininidade como um assunto discutível: caso a mulher seja tolhida na sua femininidade !! Por nada mais nada menos que as relações com o genero oposto: evitar olhares constrangedores no ambiente de trabalho (e olhe que mesmo vestida de forma apropriada ao ambiente é possivel ser constrangida por um olhar e comentários maldosos), sem contar casos ridículos de maridos, namorados que retalham sua mulher por suas escolhas com relação a femininidade.

      Se fosse possível dar uma imagem ao feminismo, eu desenharia o útero. Pois as relações sociais são modeladas em torno desse orgão. E a função social da mulher é ser fábrica de gente.

      O Diego defende bem os interesses de liberdade da mulher com relação ao seu corpo. Ela tem o direito de decidir ser parasitada pelo feto durante nove meses, que em termos menos romanticos se resume uma gravidez.. Obviamente, não é disso que a mulher escapa ao fazer um aborto mais sim, da condenação de ser mãe e de todas as implicações que isso causa. Pois paterninda e maternindade implicam em obrigações diferentes.

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